sexta-feira, 15 de março de 2019


ELLEN WHITE CONFIRMOU COMO VERDADE REVELADA OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ALEGADAMENTE ANTITRINITARIANOS DE 1872?


Uma Breve Refutação de um dos principais argumentos dos antitrinitarianos.

Por: Reginaldo Castro.

Não é por acaso que os dissidentes antitrinitarianos proclamam retumbantemente que a crença atual na Trindade constitui uma apostasia da verdade. Há um raciocínio bem específico que sustenta essa acusação deles. Nesse breve artigo, quero delinear com precisão esse raciocínio e em seguida avaliar sua validade lógica bem como sua base factual, isto é, seu fundamento nos fatos.

Para entender bem o argumento antitrinitariano, é preciso apresentar algumas informações históricas. Em 1872, Uriah Smith escreveu um documento com o seguinte título: A Declaration of the Fundamental Principles Taught  and  Practiced  by  the  Seventh-day  Adventists [Uma Declaração dos Princípios Fundamentais Ensinados e Praticados pelos Adventistas do Sétimo Dia]. Esses princípios foram reimpressos na Signs of the Times do dia 4 de Junho de 1874. Essa declaração de crença continha 25 artigos de fé, cobrindo uma gama de assuntos como Deus, Cristo, as Escrituras, o Batismo, o Juízo, o Sábado, o estado dos mortos etc. Porém, os pontos que nos interessam aqui são os que definem Deus, Cristo e Espírito de Deus, os quais são, respectivamente, o 1, o 2 e o 16. Esses pontos são explicitamente antitrinitarianos? Vejamos.

“1. Que existe um Deus pessoal, ser espiritual, o Criador de todas as coisas, onipotente, onisciente,  e  eterno;  infinito  em  sabedoria, santidade,  justiça,  bondade, verdade, e misericórdia; imutável, e presente em todo o lugar por seu representante, o Espírito Santo. Salmo 139:7.”

"2. Que existe um Senhor, Jesus Cristo, o Filho do Eterno  Pai, aquele por quem Ele criou todas as coisas  e por meio de quem elas existem ; que Ele assumiu a natureza da semente de Abraão para a redenção de nossa raça caída; que habitou entre os homens cheio de graça e verdade, viveu nosso exemplo morreu nosso sacrifício, foi ressuscitado para nossa justificação, ascendeu ao alto para ser nosso único mediador no santuário celestial, onde, com seu próprio sangue, faz expiação por nossos pecados, cuja expiação, longe de ter sido feita na cruz, onde se deu somente a oferta do sacrifício, é a última porção de sua obra como sacerdote segundo o exemplo do sacerdócio levítico, que prenunciava e prefigurava o ministério do Senhor no céu. Ver Lev. 16; Heb. 8:4, 5; 9:6, 7.

"16. Que o Espírito de Deus foi prometido para manifestar-se na Igreja mediante certos dons, enumerados especialmente em 1 Cor. 12 e Efé. 4; que esses dons não têm desígnio de superar, ou tomar o lugar, da Bíblia, que é suficiente para fazer-nos sábios para a salvação, mais do que a Bíblia pode tomar o lugar do Espírito Santo; que, ao especificar os vários canais de sua operação, o Espírito tem simplesmente feito provisão para sua própria existência e presença com o povo de Deus até o fim do tempo, para conduzir a um entendimento dessa palavra que inspirou, para convencer do pecado, e operar uma transformação no coração e vida; e que aqueles que negam ao Espírito o seu lugar e operação, negam de fato plenamente essa parte da Bíblia que lhe atribui esta obra e posição.”

A alegação do opositor é que esses princípios apresentam uma visão antitrinitariana (semi-ariana) da Divindade, ou seja, que somente o Pai é o Deus eterno; que Cristo é o Filho do Deus eterno. Isso significaria duas coisas: uma, que Cristo foi literalmente gerado pelo Pai na eternidade, tendo, portanto, um início; dois, que Cristo, como Filho, herda a mesma natureza do Pai, sendo, portanto, divino e revestido de todas as honras devidas ao Pai. O Pai possui toda a glória porque lhe é inerente; o Filho possui toda a glória porque esta lhe foi conferida. E o Espírito Santo seria apenas o poder e a influência divina mediante a qual Pai e Filho atuam e são representados.  

Depois de estabelecer que os Princípios Fundamentais de 1872 defendiam o antitrinitarianismo, os dissidentes partem para a cartada final, ao afirmarem que Ellen White confirmou, com seu dom profético, a veracidade desses Princípios. Dois textos de Ellen White que são usados por eles sãos os seguintes:

“Os principais pontos de nossa fé como temos abraçado hoje estão firmemente estabelecidos. Ponto após ponto foram claramente definidos, e todos os irmãos estão juntos em harmonia. O grupo  inteiro dos crentes está unido na verdade.  Existiram aqueles que vieram com estranhas doutrinas, mas nos nunca tememos nos encontrar com eles. As nossas experiências foram maravilhosamente estabelecidas pelo Espírito Santo. (Ellen White. Manuscrito 135, 1903).

"Mensagens de toda espécie e feitio têm feito pressão sobre os adventistas do sétimo dia, pretendendo substituir a verdade que, ponto por ponto, tem sido buscada com estudo e oração, e atestada pelo poder milagroso do Senhor. Mas os marcos que nos tornaram o que somos, devem ser preservados, e sê-lo-ão, conforme Deus o mostrou mediante Sua Palavra e o testemunho de Seu Espírito. Ele nos conclama a nos apegarmos firmemente, com a mão da fé, aos princípios fundamentais baseados em autoridade inquestionável." (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 208).

Os textos acima não são os únicos citados por eles, mas representam bem o tipo de texto de Ellen White que eles usam para argumentarem que a profetisa de fato confirmou, pela inspiração do Espírito Santo, que a visão semi-ariana da Divindade supostamente ensinada no texto dos Princípios de 1872 era a verdadeira. Como hoje a crença da Igreja é de que Deus existe eternamente em três Pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – os dissidentes acusam os trinitarianos de apostasia, uma vez que abandonaram a verdade sobre a Divindade atestada pelo Espírito Santo mediante o ministério profético de Ellen White. O argumento do dissidente procede? Houve, de fato, uma mudança da verdade para o erro? Vamos agora submeter essa tese a uma breve análise.

Existem pelo menos três observações que pulverizam esse argumento antitrinitariano. Primeira, o texto, tal como se encontra nos Princípios de 1872, não defendem o antitrinitarianismo. O prof. Balbach observa:

“Nesses Princípios Fundamentais (1872), nem o arianismo nem o trinitarianismo são mencionados entre as crenças adventistas fundamentais. Nem era o antitrinitarianismo alistado em outras declarações do que era entendido como verdade presente. J. N. Loughborough, em O Grande Movimento Adventista, cuidadosamente traça o desenvolvimento de toda doutrina importante e verdade definidora do adventismo dos primeiros tempos.. Ele SILENCIA sobre o antitrinitarianismo como um ponto da verdade presente. O livro Synopsis of Present Truth [Resumo da Verdade Presente], que se baseava nas Conferências de Tiago White e Uriah Smith no Instituto Bíblico,  não se refere ao antitrinitarianismo como uma doutrina entre os adventistas do sétimo dia. Esse silêncio é significativo, pois essas conferências foram apresentadas para o propósito mesmo de guiar o ministério adventista à unidade em toda a verdade presente.” (Alfons Balbach. Considerações Sobre a Divindade, p. 20, 21).

Os termos usados na redação dos pontos referentes a Deus, Cristo e ao Espírito de Deus podem ser tranquilamente interpretados de forma que preserve a tese trinitária. Observe que o texto afirma que há um Deus, no caso o Pai, Jesus Cristo, o Filho do Eterno Pai e o Espírito de Deus. Não há nada de caráter antitrinitário nesses termos. É verdade que, em 1872, a visão predominante ainda era a antitrinitariana, mas estamos analisando o texto tal como está, pois se Ellen White aprovou esse texto, precisamos verificar se nele há uma explícita negação da doutrina da Trindade. Se não há, o antitrinitariano não pode afirmar, ainda que ela tivesse aprovado o texto, que a profetisa confirmou princípios antitrinitarianos, pois ela teria aprovado o texto, o qual não nega a Trindade, embora o seu autor fosse semi-ariano. O fato é que nenhuma linha do que Uriah Smith escreveu conflita com a visão trinitária da Divindade. Portanto, EGW poderia aprová-lo sem com isso estar legitimando o semi-arianismo de Smith.

Segunda observação: Ellen White NUNCA afirmou que os Princípios Fundamentais de 1872 foram milagrosamente confirmados pelo Espírito Santo. Os dois textos, do Manuscrito 135 (1903), e o de Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 208, geralmente usados pelos antitrinitarianos, de fato estão falando dos princípios fundamentais, dos marcos antigos, das doutrinas definidoras do adventismo, as quais foram o resultado de muita oração, estudo da Bíblia e confirmação por meio das visões da mensageira do Senhor. O problema é que, ao analisar o contexto dessas duas passagens, constata-se que Ellen White de forma alguma está se referindo ao documento de 1872. Vamos ler o contexto (parágrafos precedentes) dos dois trechos, respectivamente.

“Meu marido, o pastor José Bates, o pai Pierce, o pastor Edson, um homem ávido, nobre e verdadeiro, e muitos outros cujos nomes não consigo recordar agora, estavam entre aqueles que, após a passagem do tempo em 1844, buscaram a verdade. Em nossas reuniões importantes, esses homens se reuniam e buscavam a verdade como a um tesouro escondido. Reunía-me com eles e estudávamos e orávamos fervorosamente, pois sentíamos que era nosso dever aprender a verdade de Deus. Muitas vezes ficávamos reunidos até alta noite e, às vezes, a noite toda, orando por luz e estudando a palavra. Quando jejuamos e oramos, um grande poder veio sobre nós. Mas eu não conseguia entender o raciocínio dos irmãos. Minha mente estava por assim dizer fechada e eu não conseguia compreender o que estávamos estudando. Então o Espírito de Deus vinha sobre mim, eu era arrebatada em visão, e era-me dada uma clara explicação das passagens que estávamos estudando, com instruções sobre a posição que deveríamos tomar em relação à verdade e ao dever. Foi-me tornada clara uma sequência de verdades que se estendia daquele tempo até ao tempo em que entraremos na cidade de Deus, e transmiti a meus irmãos e irmãs a instrução que o Senhor me deu. Eles sabiam que, quando eu não estava em visão, eu não conseguia entender esses assuntos e aceitavam como luz direta do céu as revelações dadas. Os principais pontos de nossa fé, como os mantemos hoje, foram firmemente estabelecidos. Ponto após ponto foi claramente definido, e todos os irmãos entraram em harmonia. Toda a companhia dos crentes estava unida na verdade. Houve aqueles que vieram com doutrinas estranhas, mas nunca tivemos medo de enfrentá-los. Nossa experiência foi maravilhosamente confirmada pela revelação do Espírito Santo.” - Manuscrito 135 (1903).

“Que influência essa, que desejaria levar os homens, neste período de nossa história, a trabalhar de modo enganador e poderoso, para solapar os alicerces de nossa fé — alicerces QUE FORAM LANÇADOS NO PRINCÍPIO DE NOSSA OBRA mediante DEVOTO ESTUDO DA PALAVRA E PELA REVELAÇÃO? Sobre esses alicerces temos estado a construir, nos últimos CINQUENTA anos. Admirai-vos de que, quando vejo o princípio de uma obra que pretende remover alguns dos pilares de nossa fé, tenha algo a dizer? Tenho de obedecer à ordem: “Enfrentai-o!”. Tenho de proclamar as mensagens de advertência que Deus me dá para divulgar, e então deixar com o Senhor os resultados. Tenho de agora apresentar o assunto em todos os seus aspectos, pois o povo de Deus não deve ser despojado. Somos o povo de Deus, observador dos mandamentos. Nos passados cinquenta anos tem-se feito pressão sobre nós com toda sorte de heresias, a fim de embotar-nos o espírito em relação aos ensinos da Palavra — especialmente quanto ao ministério de Cristo no santuário celestial e à mensagem do Céu para estes últimos dias, como foi dada pelos anjos do décimo quarto capítulo do Apocalipse. Mensagens de toda espécie e feitio têm feito pressão sobre os adventistas do sétimo dia, pretendendo substituir a verdade que, ponto por ponto, foi buscada com estudo e oração, e atestada pelo poder milagroso do Senhor. Mas OS MARCOS que nos tornaram o que somos, devem ser preservados, e sê-lo-ão, conforme Deus o mostrou mediante Sua Palavra e o testemunho de Seu Espírito. Ele nos conclama a nos apegarmos firmemente, com a mão da fé, aos princípios fundamentais baseados em autoridade inquestionável.” - Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 208.

Note-se que algumas expressões se repetem ou são equivalentes. “Após a passagem do tempo”, “Nos passados cinquenta anos” (o texto de ME é de 1904, os cinquenta anos é uma média que vai chegar lá nos primeiros anos do movimento. O próprio texto se refere ao “princípio de nossa obra”). Os dois textos mencionam o estudo dedicado da Bíblia e a Revelação do Espírito. É inegável que os dois textos estão se referindo a mesma época: os primeiros anos após a passagem de 1844, quando os primeiros adventistas se entregaram completamente à oração e se debruçaram intensamente sobre a Bíblia a fim de aprenderem o que é a verdade. Seus esforços foram recompensados pela atuação do Espírito de Deus por meio do dom profético de Ellen White. Durante esse período inicial, os pilares da fé adventista foram estabelecidos. Em outro texto, ela faz a mesma recordação. Note semelhança nas expressões:

Os cinquenta anos passados não apagaram um jota ou princípio de nossa fé ao recebermos as grandes e maravilhosas evidências que se tornaram certas para nós em 1844, após a passagem do tempo [...] Aquilo que o Espírito Santo testificou como verdade após a passagem do tempo, em nosso grande desapontamento, é o sólido fundamento da verdade. Os pilares da verdade foram revelados e nós aceitamos os princípios fundamentais que nos tornaram o que somos – adventistas do sétimo dia, observando os mandamentos de Deus e tendo a fé de Jesus.” (CARTA 326, 1905).

Creio que esteja mais do que claro que os antitrinitarianos fazem uma aplicação totalmente enganosa desses textos. quando os aplicam ao princípios de 1872. O contexto se refere aos anos iniciais após a passagem de 1844. No próximo texto, Ellen White deixará bem claro que doutrinas são essas que foram os frutos de muita oração, estudo da Palavra e que o Espírito Santo, por meio de visões, confirmou a veracidade bíblica dessas doutrinas. Preste muita atenção no texto a seguir.

“Em Mineápolis, Deus concedeu preciosas gemas da verdade ao Seu povo. Essa luz do Céu enviada a algumas pessoas foi rejeitada com toda a resistência que os judeus manifestaram ao rejeitar a Cristo, havendo muita discussão em torno da defesa dos antigos marcos. Ficou evidente, porém, que quase nada sabiam sobre o que eram os antigos marcos. Ficou claro e foram feitos apelos diretos à consciência com base na Palavra de Deus; contudo, as mentes estavam cauterizadas, seladas contra a entrada da luz, porque decidiram que seria um perigoso erro remover os “marcos antigos” quando não se estava removendo nada, além das idéias errôneas do que constituíam os antigos marcos. O passar do tempo em 1844 foi um período de grandes acontecimentos, expondo ao nosso admirado olhar a purificação do santuário que ocorre no Céu, e tendo clara relação com o povo de Deus na Terra, e com as mensagens do primeiro, do segundo e do terceiro anjos, desfraldando o estandarte em que havia a inscrição: “Os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Um dos marcos desta mensagem era o templo de Deus, visto no Céu por Seu povo que ama a verdade, e a arca, que contém a lei de Deus. A luz do sábado do quarto mandamento lançava os seus fortes raios no caminho dos transgressores da lei de Deus. A não-imortalidade dos ímpios é um marco antigo. Não consigo lembrar-me de alguma outra coisa que possa ser colocada na categoria dos antigos marcos. Todo esse rumor sobre a mudança do que não deveria ser mudado é puramente imaginário. (O Outro Poder, p. 21 [Manuscrito 13, 1889]).

A QUAIS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS EGW ESTAVA SE REFERINDO?

  1. A purificação do santuário celestial
  2. A tríplice mensagem angélica
  3. Os mandamentos de Deus
  4. A fé em Jesus
  5. O sábado
  6. A não imortalidade dos ímpios.
Estes são, de acordo com a voz profética, os MARCOS ANTIGOS QUE NOS TORNAM O QUE SOMOS. Estas são as doutrinas chamadas de pilares de nossa fé, os principais pontos de nossa fé, dentro do contexto das passagens citadas pelos antitrinitarianos. Aliás, pergunto agora a eles: onde está a visão semi-ariana da Divindade como um dos marcos antigos classificados pela própria Ellen White no texto acima, escrito em 1889? Nem sinal. Portanto, comprova-se documentalmente que o argumento antitrinitariano é infundado.

É importante ressaltar que uma doutrina verdadeira e atestada pelo Espírito de Deus não é necessariamente uma doutrina que pertença à categoria dos marcos antigos. Por exemplo: note que a Sra. White não menciona justiça pela fé, matrimônio, reforma de saúde, reforma do vestuário, etc. Para entender isso, precisamos observar que quando Ellen White define os marcos antigos no texto do Manuscrito 13, de 1889, a palavra que ela usa e que é traduzida por marcos antigos é LANDMARK. No Webster's 1828 American Dictionary of the English Language - que foi o dicionário padrão de Inglês ao longo da vida de Ellen White – define landmark da seguinte forma:

1. Marca que aponta o limite da terra; qualquer marca ou objeto fixo; como uma árvore marcada, uma pedra, uma vala ou um monte de pedras, pelo qual os limites de uma fazenda, uma cidade ou outra parte do território podem ser conhecidos e preservados.”

Ou seja, um “landmark” se refere a algo que delimita um território, que IDENTIFICA uma determinada área. Em nosso contexto, quando EGW fala de algumas doutrinas como sendo as “landmarks” do adventismo, ela está dizendo que essas são as crenças que IDENTIFICAM O O ADVENTISMO, SÃO AS DOUTRINAS QUE DEMARCAM, DISTINGUEM NOSSO TERRITÓRIO TEOLÓGICO, tal como estacas que demarcam a distinção de um campo em meio aos outros ao redor. Por isso ela diz que são marcos que nos tornam o que somos. A purificação do santuário celestial, a tríplice mensagem angélica, os mandamentos de Deus, a fé em Jesus, o sábado, a não imortalidade dos ímpios são doutrinas que de fato NOS IDENTIFICAM, NOS TORNAM O QUE SOMOS. Nenhuma outra igreja defende essas doutrinas dentro do contexto do Santuário Celestial e da Tríplice Mensagem Angélica. Já a justiça pela fé, o matrimônio, a reforma de saúde, a reforma do vestuário, etc SÃO DOUTRINAS VERDADEIRAS, MAS NÃO DISTINTIVAS. Essas doutrinas não nos identificam automaticamente.

Retomando: a visão antitrinitariana da Divindade jamais aparece como um dos antigos marcos, algo estranho e incompreensível se os textos de EGW em questão estão realmente legitimando o suposto antitrinitarianismo dos princípios fundamentais de 1872.

O parágrafo inicial do documento escrito por Smith traz uma informação muito importante para a nossa discussão aqui. Veja:

“Ao apresentar ao público esta sinopse de nossa fé, desejamos que seja distintamente compreendido que não temos nenhum artigo de fé, credo ou disciplina, além da Bíblia. Não apresentamos isto como tendo qualquer autoridade sobre nosso povo, nem é destinado a assegurar uniformidade entre ele, como um sistema de fé, mas é uma breve declaração do que é e tem sido, com grande unanimidade, mantida por ele. Com frequência achamos necessário responder a indagações sobre este assunto. ” - [Uriah Smith], A Declaration of the Fundamental Principles Taught and Practiced by the Seventh-day Adventists (Battle Creek, MI: Steam Press, 1872).

Assim, a terceira observação é: o próprio Uriah Smith deixou claro que o documento em questão não deveria ser tomado como um credo fechado. Os antitrinitarianos têm muita dificuldade de entenderam esse ponto. Eles se esquecem de como o próprio Smith e os pioneiros pensavam sobre a questão da progressão no conhecimento do que é a verdade. Com a palavra, os pioneiros:

"Temos conseguido regozijar-nos  em verdades muito além do que então percebíamos. [...] MAS NÃO PENSAMOS DE MODO ALGUM QUE JÁ SABEMOS TUDO. ESPERAMOS AINDA PROGREDIR, DE FORMA QUE NOSSA VEREDA SE TORNE CADA VEZ MAIS BRILHANTE ATÉ SER DIA PERFEITO. Que mantenhamos SEMPRE UM ESTADO MENTAL INQUIRIDOR, BUSCANDO MAIS LUZ E MAIS VERDADE.” (Uriah Smith. RH, 30 de Abril de 1857). Agora Tiago White:

"Nunca foram as Sagradas Escrituras tão valorizadas pelo remanescente como agora. Quando o testemunho da Bíblia para começar o dia ao pôr do sol foi apresentado em clara luz, assim como outros assuntos foram apresentados na Review, eles [os primeiros adventistas] de bom grado abraçaram esse testemunho. E NÓS ACREDITAMOS QUE ELES MUDARIAM OUTROS PONTOS DE SUA FÉ SE ELES PUDESSEM VER UMA BOA RAZÃO PARA FAZÊ-LO A PARTIR DAS ESCRITURAS." (RH, 7 de Fevereiro de 1856).

Será que Ellen White pensava diferente?

"Percepções nítidas e claras da verdade nunca serão a recompensa da indolência. A investigação de cada ponto que foi recebido como verdade irá ricamente recompensar o pesquisador; ele encontrará pedras preciosas. E, investigando de perto todo jota e til que achamos ser verdade estabelecida, comparando escritura com escritura, podemos descobrir erros em nossa interpretação das Escrituras. Cristo quer que o pesquisador de sua palavra cave fundo nas minas da verdade. Se a pesquisa for realizada corretamente, serão encontradas jóias de valor inestimável. A palavra de Deus é a mina das insondáveis riquezas de Cristo." (Review and Herald, 12/07/1898).

“Há homens entre nós que professam compreender a verdade para estes últimos dias, mas que não investigarão com calma a verdade mais recentemente estabelecida. Estão decididos a não avançar além das estacas que estabeleceram e não ouvirão aqueles que, dizem eles, não estão em defesa dos marcos antigos. São tão autossuficientes que tornam impossível que argumentemos com eles. Eles consideram uma virtude estar em discórdia com seus irmãos e fechar a porta, para que a luz não encontre uma entrada para o povo de Deus. Isso exigirá sabedoria celestial para saber como lidar com esses casos. A luz virá para o povo de Deus, e aqueles que tentarem fechar a porta irão se arrepender ou serão removidos do caminho. Chegou o momento em que um novo ímpeto deve ser dado ao trabalho. Há cenas terríveis diante de nós, e Satanás está tentando fazer com que não chegue ao nosso conhecimento precisamente as coisas que Deus quer conheçamos. Deus tem mensageiros e mensagens para o Seu povo. Se forem apresentadas ideias que diferem em alguns pontos de nossas doutrinas anteriores, não devemos condená-las sem uma busca diligente da Bíblia para ver se elas são verdadeiras. Devemos jejuar e orar e pesquisar as Escrituras, como fizeram os nobres bereanos, para ver se essas coisas são assim. Precisamos aceitar todos os raios de luz que nos chegam. Por meio de fervorosa oração e diligente estudo da Palavra de Deus, as coisas sombrias serão esclarecidas para o entendimento.” (Signs of the Times, 26/05/1890).

O ponto que estou estabelecendo aqui é claro: os pioneiros entendiam que poderiam crescer no conhecimento das verdades doutrinárias incluindo a possiblidade de terem se equivocado nas crenças que já defendiam. Como os antitrinitarianos provam que essa possibilidade não envolvia o antitrinitarianismo semi-ariano dos contemporâneos de Ellen White? Não podem provar.

Em resumo, o argumento antitrinitariano falha pelas seguintes razões:

1. A declaração de 1872 em si mesma não defende o antitrinitarianismo. Isso se confirma quando vemos que as obras de Loughborough e Smith, sobre a história das verdades basilares do movimento e que apresenta um resumo da verdade presente, respectivamente, não mencionam nada de caráter antitrinitário.

2. As passagens de EGW em seus contextos não se referem aos princípios fundamentais de 1872, mas às verdades estudadas e confirmadas pelo Espírito Santo nos anos iniciais do Movimento Adventista.

3. O próprio Uriah Smith afirma logo no primeiro parágrafo que o documento de 1872 não possuía qualquer autoridade sobre o povo no sentido de um credo imutável. Isso reflete não só o pensamento dele, mas dos pioneiros quanto à natureza dinâmica da verdade. Ou seja, eles não se fechavam dentro do que já tinham aprendido e estavam abertos para aprenderem mais, mesmo que isso significasse renunciar crenças já abraçadas. A própria EGW claramente defendia a possibilidade de haver erros doutrinários e que poderiam ser corrigidos com o progresso do estudo das Escrituras com a orientação do Espírito Santo. Obviamente, doutrinas confirmadas como verdadeiras pela manifestação do Espírito por meio do dom profético não estavam sujeitas a mudanças. No entanto, TEXTO NENHUM MOSTRA O ESPÍRITO DE DEUS USANDO SUA SERVA A FIM DE CONFIRMAR A VISÃO ANTITRINITARIANA DOS PIONEIROS.

Dessa forma, com essas observações, o argumento antitrinitariano desmorona.









quarta-feira, 20 de junho de 2018

O CÂNTICO DE MOISÉS E DO CORDEIRO


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Alguns tem perguntado: Se o Hino de Moisés será cantado somente pelos 144.000, porque Ellen White diz que “milhares e dezenas de milhares, e uma incontável multidão de remidos” (White, E. G. Testemunhos para Ministros, pg. 433. Casa Publicadora Brasileira),   entoará este cântico? Então o número dos 144.000 representa um número bem maior de salvos? 

Bem, temos na inspiração, inúmeros motivos claros e incontestáveis para vermos que o grupo de salvos que compõem os 144.000 é um grupo distinto e diferente da grande multidão. Os 144.000 é um grupo contado (Apocalipse 7:4), a grande multidão não pode ser contada (Apocalipse 7:9). Não teria lógica os dois grupos comporem um único grupo.

Os 144.000 são selados das 12 tribos do Israel espiritual, pois são da igreja de Deus, que conhecem a verdade, a tríplice mensagem angélica (Apocalipse 7:4). Já sobre os salvos da grande multidão, é dito deles,  que são de todas as nações, de todas as tribos da Terra (Apocalipse 7:9). Ou seja, não pertenciam à igreja organizada de Deus nos últimos dias. Não é dito da grande multidão, portanto, que a mesma é das 12 tribos de Israel como é dito dos 144.000!

A inspiração também nos mostra outras provas incontestáveis da distinção dos 144.000 da grande multidão. No reino de Deus, por exemplo, existe um templo onde somente os 144.000 podem entrar, os demais salvos não:

“No trajeto encontramos uma multidão que também contemplava as belezas do lugar. Notei a cor vermelha na borda de suas vestes, o brilho das coroas e a alvura puríssima dos vestidos. Quando os saudamos, perguntei a Jesus quem eram eles. Disse que eram mártires que por Ele haviam sido mortos. Com eles estava uma inumerável multidão de crianças que tinham também uma orla vermelha em suas vestes. O Monte Sião estava exatamente diante de nós, e sobre o monte um belo templo, em cujo redor havia sete outras montanhas, sobre as quais cresciam rosas e lírios... E quando estávamos para entrar no santo templo, Jesus levantou Sua bela voz e disse: "Somente os 144.000 entram neste lugar", e nós exclamamos: "Aleluia"! (White, E. G. Primeiros Escritos, pg. 19. Casa Publicadora Brasileira). 

Não houvesse distinção entre os demais salvos e os 144.000, e não haveria tal restrição.

Outra prova incontestável encontramos também na seguinte declaração onde vemos os salvos em grupos distintos:

“Mais próximo do trono estão os que já foram zelosos na causa de Satanás, mas que, arrancados como tições do fogo, seguiram seu Salvador com devoção profunda, intensa." (Agora os 144.000): "Em seguida estão os que aperfeiçoaram um caráter cristão em meio de falsidade e incredulidade, os que honraram a lei de Deus quando o mundo cristão a declarava nula”, “e os milhões de todos os séculos que se tornaram mártires pela sua fé." (Agora a grande multidão): "E além está a ‘multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas,... trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos’. Apoc. 7:9.” (White, E. G. O Grande Conflito, pg. 665. Casa Publicadora Brasileira).

Como eu disse, incontestável!!

Existem logicamente dezenas de outros motivos para vermos uma clara distinção entre os salvos da grande multidão e os 144.000, mas vamos à questão sobre o motivo da inspiração mencionar o hino de Moisés e do Cordeiro, sendo cantado por todos os salvos:

É bom notarmos, que o texto do Espírito de profecia menciona dois hinos:


 1º - O Hino de Moisés
  
“Quando findar o conflito terreno, e os santos forem recolhidos ao lar, nosso primeiro tema será o cântico de Moisés.” (White, E. G. Testemunhos para Ministros, pg. 433. Casa Publicadora Brasileira).

  “Com o cordeiro, sobre o monte de Sião, ‘tendo harpas de Deus’, estão os cento e quarenta e quatro mil que foram remidos dentre os homens; e ouve-se como o som de muitas águas, e de grande trovão, ‘uma voz de harpistas, que tocava, com suas harpas’. E cantavam um cântico novo diante do trono – cântico que ninguém podia aprender senão os cento e quarenta e quatro mil. É o hino de Moisés e do Cordeiro – hino de livramento. Ninguém, a não ser os cento e quarenta e quatro mil, pode aprender aquele canto, pois é o de sua experiência – e nunca ninguém teve experiência semelhante.” (White, E. G. O Grande Conflito, pg. 649).

Algumas pessoas ao lerem o texto acima não percebem que o hino do Cordeiro é cantado por todos, a saber, os que são dos 144.000 e os demais remidos. Neste texto, não se faz muita diferenciação entre os dois hinos. No entanto, o primeiro, o de Moisés, é cantado apenas pelos que foram selados e que fazem assim parte dos 144.000. Mas o outro, o do Cordeiro, é cantado pela vasta multidão de remidos, cantado por todos aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro (Apocalipse 22:14).


 2º - O Cântico do Cordeiro


           O segundo tema será o cântico do Cordeiro, o hino de graça e redenção, esse hino será mais alto, mais elevado, e, em mais sublimes acentos, ecoando e reecoando pelas cortes celestes. Assim é entoado o cântico da providência de Deus, ligando a várias dispensações...Eis o tema, eis o cântico -  Cristo é tudo em todos – em antífonas de louvar a ressoarem através do Céu, entoadas por milhares e dezenas de milhares, e uma incontável multidão de remidos.” (Testemunhos para Ministros, pg. 433).

Outra possibilidade também se abre diante de nós quando lemos que todos cantarão também o cântico de Moisés. A inspiração é muita clara ao dizer que apenas os 144.000 podem cantar este cântico, pois é o hino de sua experiência. Como entender esta afirmação? É muito simples esta questão: É lógico que este hino, o de Moisés, ao ser cantado, será apreciado e aprendido por toda a hoste de remidos. Um exemplo disso é a seguinte comparação com base no seguinte texto:
  
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.” (Apocalipse 2:17).
  
Porque este novo nome será conhecido apenas pelo que o recebe? Seria um absurdo não sabermos o nome das pessoas no Céu ou no reino de Deus, não acha? Por que então o novo nome só é conhecido por aquele que o recebe? Simples, por que cada qual receberá um novo nome segundo a experiência que passou. Jacó, por exemplo, teve seu nome mudado para Israel porque lutou com Deus e venceu. O nome Israel significa: Aquele que luta com Deus. (Gênesis 32:27-28). O nome Israel passou a ser conhecido universalmente depois daquela luta medonha no vau de Jaboque. No entanto, somente Jacó conhecia profundamente o significado amplo e total daquele nome, porque somente ele havia passado por aquela experiência.

Outras pessoas receberam também nomes segundo a experiência que tiveram. Abrão que significa “pai da altura”, teve seu nome mudado para Abraão que significa “pai de uma multidão” (Veja Gênesis 17:5. Nota de Rodapé Versão Revista e Corrigida), significando que ele seria pai de uma nação numerosa, como realmente se deu. Também Sarai teve seu nome mudado, Saulo, etc.
  
Semelhantemente, o fato de que a princípio apenas os 144.000 cantam o hino de Moisés e que somente eles sabem cantar aquele hino, não significa, segundo a inspiração, que ninguém aprenderá depois esse cântico. No Céu, com mentes aguçadas e abertas ao conhecimento:

Ali, mentes imortais contemplarão, com deleite que jamais se fatigará, as maravilhas do poder criador, os mistérios do amor que redime. Ali não haverá nenhum adversário cruel, enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. Todas as faculdades se desenvolverão, ampliar-se-ão todas as capacidades. A aquisição de conhecimentos não cansará o espírito nem esgotará as energias. Ali os mais grandiosos empreendimentos poderão ser levados avante, alcançadas as mais elevadas aspirações, as mais altas ambições realizadas; e surgirão ainda novas alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo.” (White, E. G. O Grande Conflito, pg. 677. Casa Publicadora Brasileira).

Ali todos poderão aprender em ouvir o hino de Moisés e do Cordeiro apenas uma vez, ou qualquer outra informação nova jamais será esquecida, porém, somente os 144.000 poderão cantar o hino de Moisés como nenhum outro, pois é o hino de sua experiência e ninguém teve experiência semelhante, somente eles saberão o real significado de cada palavra!


 Para maiores informações:

 cristiano_souza7@yahoo.com.br

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O Farol

"Em meio de todas as nossas provações, temos um infalível Ajudador. Não nos deixa lutar sozinhos com a tentação, combater o mal, e ser afinal esmagados ao peso dos fardos e das dores. Conquanto Se ache agora oculto aos olhos mortais, o ouvido da fé pode-Lhe ouvir a voz, dizendo: Não temas; Eu estou contigo. "Eu sou... o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre." Apoc. 1:18. Suportei as vossas dores, experimentei as vossas lutas, enfrentei as vossas tentações. Conheço as vossas lágrimas; também Eu chorei. Aqueles pesares demasiado profundos para serem desafogados em algum ouvido humano, Eu os conheço. Não penseis que estais perdidos e abandonados. Ainda que vossa dor não encontre eco em nenhum coração na Terra, olhai para Mim e vivei. 'As montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a Minha benignidade não se apartará de ti, e o concerto da Minha paz não mudará, diz o Senhor, que Se compadece de ti.' Isa. 54:10." O Desejador de Todas as Nações, pág. 484.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A Parábola do Trigo e do Joio



As Escrituras Sagradas são fonte de conhecimento e vida. Jesus mesmo disse que Suas palavras eram vida. Jo. 6:63. Na Bíblia encontramos uma fonte inesgotável de sabedoria. Quanto mais cavamos as escrituras, mais jóias preciosas encontramos. Muitas dessas jóias são encontradas nas palavras de nosso Salvador quando aqui andou entre os homens. Através de ilustrações Jesus introduzia a verdade na vida das pessoas de tal forma que seus ensinamentos jamais seriam esquecidos. As parábolas eram uma ferramenta nas mãos do poderoso Mestre com a qual ele abria corações e ensinava lições que seriam imortalizadas. Neste estudo abordaremos uma dessas parábolas e algumas das preciosas lições que a mesma encerra.

AS TRÊS APLICAÇÕES DA PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO

A Parábola do trigo e do joio tem sido mal interpretada por muitos. Dentre as piores interpretações encontra-se aquela que diz que devemos tolerar ate mesmo graves erros na igreja pois que Jesus disse que o trigo (os fiéis) e o joio (os falsos crentes) devem crescer juntos na igreja até o fim. Com esta teologia falsa e perigosa muitas igrejas procuram defender certos afastamentos da palavra de Deus. Isto e muito triste pois a Bíblia que fora escrita para corrigir o erro, esta sendo usada para defende-lo. Desta forma julgamos ser necessário a luz da inspiração esclarecermos este assunto. Leiamos, pois a parábola e aprendamos de nosso Mestre:

“Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.” Mateus 13:24 –30.




1ª APLICAÇÃO: NO MUNDO

Jesus contou a parábola, contudo não deu a explicação, esta, foi dada em particular aos discípulos em casa.

“Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.” Mateus 13:24 –39.

Resumidamente, a explicação é que:

A – O Semeador representa Jesus – Vers. 37.
B – O Campo é o mundo – Vers. 38.
C – A boa semente, o trigo, são os filhos de Deus – Vers. 38.
D – O joio, são os ímpios, os filhos do maligno – Vers. 38.
E – O semeador do joio representa Satanás – Vers. 39.
F – A colheita ou a ceifa é o fim do mundo – Vers. 39.
G – Os ceifeiros são os anjos – Vers. 41.

Desejamos esclarecer alguns detalhes nesta explicação, pois como já dissemos, existem idéias equivocadas sobre a explicação de Jesus, que aliás, fora muito clara, mas que tirada de seu verdadeiro significado pode levar algumas pessoas a consensos errados. Vejamos: “A colheita é o fim do mundo” disse Jesus. Aí alguns pensam: Se a colheita é o fim do mundo, não podemos separar ninguém da igreja, devemos esperar para o fim. Contudo, tais pessoas, que acreditamos sinceras, esquecem-se e ignoram que Jesus disse que “o campo é o mundo” e não a igreja!

Quando ocorrerá a separação neste campo? Ou seja, no mundo?

“Assim como o joio é colhido e queimado no fogoassim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos.” Mateus 13:39- 43,49.

Neste campo, ou seja, no mundo, realmente o joio, os filhos do maligno, serão separados do trigo, os filhos do reino, somente quando o Filho do homem vier e pedir a seus anjos que façam esta separação. Esta separação terá lugar, portanto apenas na consumação deste mundo, ou na consumação dos séculos. Enquanto este dia não chega, teremos que conviver com pessoas ruins em diversos lugares, nos supermercados, na fila do banco, nas escolas, etc.

“Está próximo o dia em que os justos, qual semente preciosa, hão de ser ajuntados para os celeiros celestiais, enquanto os ímpios, à semelhança do joio, o serão para o fogo do grande dia. Mas o trigo e o joio deverão ‘crescer ambos juntos até a ceifa’.
“No desempenho de seus deveres cotidianos, os justos hão de estar, até o fim, em contato com os ímpios”.[1]

Não podemos, portanto confundir a explicação de Jesus e aplica-la para a igreja, pois Ele foi muito claro em dizer que nas circunstancias de Sua explicação, o campo é o mundo e não a igreja. Na igreja, podemos dizer que a historia e completamente diferente. Vejamos!




2ª APLICAÇÃO: NA IGREJA

Veremos agora como a parábola do trigo e do joio tem uma aplicação para dentro da igreja. Aqui verificaremos algumas semelhanças com a aplicação que Jesus dera a parábola. Porém veremos também algumas diferenças marcantes.

A – O Semeador representa Jesus – “O que semeia a boa semente é o Filho do homem...”.[2]

Neste ponto “A” temos a mesma aplicação que no mundo, contudo, enquanto na primeira aplicação o campo era o mundo, nesta aplicação a inspiração nos diz que:

B – O campo representa a igreja – “’O campo’ disse Cristo, ‘é o mundo’. Precisamos, porém, entender isto como significativo da igreja de Cristo no mundo”.[3]

O que ocorre, portanto, dentro da igreja?

“Ao mesmo tempo em que o Senhor traz para a igreja os verdadeiros convertidos, Satanás traz para sua comunhão pessoas não convertidas. Enquanto Cristo semeia a boa semente, Satanás semeia o joio. Duas influências oponentes se exercem continuamente sobre os membros da igreja. Uma influência opera em favor da purificação da igreja, e a outra em favor da corrupção do povo de Deus”.[4]

Neste campo, ou seja, na igreja, temos também a influencia tanto do trigo quanto do joio. Triste e dizer que na igreja também existe esta influencia má para atrapalhar a obra de Deus. Sim, dentro da igreja também existe o joio.

C – A boa semente representa os fiéis – “A boa semente são os filhos do reino. ...aqueles que são nascidos da palavra de Deus”.[5]

D – O joio são os falsos crentes – “O joio representa uma classe que é o fruto da encarnação do erro, de princípios falsos. Dói aos servos de Cristo ver misturados na congregação crentes falsos e verdadeiros”.[6]

Neste ponto pode alguém então pensar que a igreja então deve tolerar todo erro claro sem poder nada fazer. Contudo, o Espírito de Profecia nos diz que:

“O verdadeiro caráter desses pretensos crentes não é plenamente manifesto”.[7]

Este joio, portanto, que se encontra na igreja, que é membro da igreja, não tem pecados abertos, não revelou seu verdadeiro caráter diante da igreja e diante dos irmãos. Todos os que olham para tais pessoas pensam ver um verdadeiro irmão. Não o vêem cometer nada que o comprometa com os princípios da igreja. Neste caso a inspiração nos adverte:

“Se tentássemos desarraigar da igreja os que supomos serem cristãos espúrios, certamente cometeríamos erro”.[8]

Atentemos bem que não devemos agir em base de suposições. Neste caso, a igreja pode cometer erros graves em desligar alguém que pode ter cometido alguma falta com base em alguma possibilidade.  Diante de tais circunstâncias, poderia estar extirpando o trigo em lugar do joio, desde que nada fora provado. Em suma, a verdade é que a igreja jamais deve agir com fundamentos em suposições. Mas a pergunta é: E quando existem provas de que alguém não está andando segundo os princípios do evangelho? Esta resposta teremos um pouco mais adiante. Continuemos a explicação da parábola neste campo, ou seja, na igreja.

E – O semeador do joio representa Satanás – “O inimigo que o semeiou é o diabo”. [9]

“Ao mesmo tempo em que o Senhor traz para a igreja os verdadeiros convertidos, Satanás traz para sua comunhão pessoas não convertidas. Enquanto Cristo semeia a boa semente, Satanás semeia o joio.”[10]

F – A colheita representa o fim do tempo da graça – “O joio e o trigo devem crescer juntos até a ceifa; e a colheita é o fim do tempo da graça”.[11]

Lembremo-nos que quando estudamos a aplicação da parábola no mundo, vimos que a colheita se realizará apenas na consumação dos séculos, ou seja, no fim do mundo, quando Jesus voltar a esta Terra. Na igreja, porém, temos dois períodos de colheita. A primeira será realizada no fim do tempo da graça. Por que, pois a colheita na igreja não será apenas no fim do mundo mas bem antes? Exatamente porque a igreja precisa ser purificada de falsos irmãos antes que esteja preparada para concluir a obra de pregação. Estes falsos crentes que se misturaram nas congregações se passando por bons cristãos serão eliminados da igreja antes que a porta da graça se feche e Jesus volte. Desta forma, enquanto que no mundo a separação será feita apenas no fim, na igreja, a separação do trigo e do joio, será realizada bem antes.

G – O que realizará esta colheita ou ceifa será a sacudidura, uma grande prova para a igreja.

No mundo, quem realizará a colheita serão os anjos. Na igreja, em se tratando do joio que ainda não deu fruto, será realizado pela sacudidura ou por uma grande prova que testará os verdadeiros propósitos e sentimentos de cada um. Aquele joio, portanto, que estava escondido se passando por trigo, será eliminando da igreja por esta prova.

 Em se tratando mesmo do trigo e do joio literal, ambos são bem semelhantes. A diferença se nota apenas quando aparecem os frutos. O trigo dá sua espiga de fruto tombado, penso, apontando o chão. O joio, porém, por conter apenas palha, sem fruto algum, dá sua espiga em sentido vertical, apontando o céu. Na igreja, o trigo e o joio são muito semelhantes. Nada há que indique visivelmente que entre os membros da igreja exista o joio. Mas ele está ali, aparentando ser trigo. Antes que a igreja seja batizada com o Espírito Santo, este joio terá que ser removido da igreja. Neste caso, o Senhor fará pela igreja o que ela não pode fazer com bases apenas em suposições. Deus enviará então um peneiramento, um dificuldade muito grande, para que este joio venha se manifestar e abandone então as fileiras dos verdadeiros crentes. Leiamos algumas passagens sobre isto.

“Disse o anjo: ‘Olha’. Minha atenção foi então dirigida ao grupo que eu vira e estava fortemente sendo sacudido. Foram-me mostrados os que eu antes vira chorar e orar com agonia de espírito. A multidão de anjos da guarda ao seu redor fora duplicada, e estavam revestidos de uma armadura da cabeça aos pés. Marchavam em perfeita ordem, semelhantes a um grupo de soldados... Haviam alcançado a vitória...”.
“Diminuíra o número dos que faziam parte desse grupo. Ao serem sacudidos, alguns tinham sido arrojados fora do caminho. Os descuidosos e indiferentes , que não se união com os que prezavam suficientemente a vitória  e a salvação, para por elas lutar e angustiar-se  com perseverança, não as alcançaram, e foram deixados para traz, em trevas, e seu lugar foi imediatamente preenchido pelos que aceitavam a verdade e ala se filiavam”.[12]

“E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores, cuja influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará a fé e tomará sua posição com os fracos inimigos dela, para os quais havia muito tempo tendiam as suas simpatias”.[13]

Todos os que desejarem abandonar a congregação, terão oportunidade. O grande tempo do peneiramento está justamente diante de nós. Os ciumentos e os descobridores de faltas, que praticam o mal serão sacudidos para fora”.[14]

“A prosperidade multiplica a massa dos que professam. A adversidade expurga-os da igreja. Como uma classe, não tem o espírito firme em Deus. Saem de nós, porque não são de nós, pois quando surge tribulação ou perseguição por causa da Palavra, muitos se escandalizam”.[15]

“A grande questão que está tão próxima eliminará aqueles a quem Deus não designou, e Ele terá um ministério puro, leal, santificado e preparado para a chuva serôdia... ”.[16]

“Não vem distante o tempo em que toda alma terá de ser provada... Por esse tempo o ouro será separado da escória, na igreja. A verdadeira piedade distinguir-se-á então claramente daquela que consiste na aparência. Muitas estrelas cujo brilho temos admirado, então se apagarão transformando-se em trevas. A palha, como nuvem, será levada pelo vento, mesmo de lugares onde só vemos ricos campos de trigo”.[17]

Na igreja, portanto, a separação ou a colheita do joio que ainda permanece na igreja sem revelar seu verdadeiro caráter, aparentando ser trigo quando na verdade é joio será na sacudidura. Este, como já dissemos e voltamos a repetir, será o caso do joio que ainda não revelou sua verdadeira natureza, não tem pecados conhecidos pela igreja, Todos o julgam trigo. Este será eliminado nesta terrível sacudidura. Neste ponto cabe a todos nós uma pergunta importantíssima:


QUAL DEVE SER A ATITUDE DA IGREJA DIANTE DO PECADO ABERTO E DECLARADO?


“E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa.” Marcos 4:29.

“Cristo ensinou claramente que aqueles que perseveram em pecado declarado devem ser desligados da igreja; mas não nos confiou a tarefa de ajuizar sobre caracteres e motivos”.[18]

Estas passagens são bem claras sobre a posição que a verdadeira igreja de Deus deve ter com respeito a pecados declarados. Não cabe a igreja julgar os motivos ou condenar alguém, ou julga-lo um joio. O caráter de cada um cabe a Deus apenas o julga-lo, porém o pecado não deve ser tolerado, “aqueles que perseveram em pecado declarado devem ser desligados da igreja”.

É aqui que muitas igrejas erram. Confundem a aplicação da parábola. Aplicam a explicação de Jesus para a igreja e o erro acaba por ser tolerado e infelizmente até defendido. Neste caso que estamos considerando, a colheita não é somente no fim do mundo, nem apenas no fim da graça, mas quando o pecado se torna público. Neste caso, na igreja, como já dissemos, existem dois períodos de colheita. Uma no fim da graça para o joio que não revelar seu fruto até aquela ocasião, e outra quando por ocasião do pecado. Não queremos dizer aqui que todo aquele que peca é joio, como já lemos não podemos “ajuizar sobre caracteres e motivos”, porém a igreja cabe esta dura obra de purificar seu acampamento. Leiamos mais alguns textos sobre esta questão:

Mat. 18:17. “E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.”

O Espírito de Profecia explica estas palavras de Jesus da seguinte forma:

“’Se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano’. V. 17. Se ele não escutar a igreja, se recusar os esforços envidados para reconquistá-lo é a igreja que deve tomar a si a responsabilidade de excluí-lo da sua comunhão. Seu nome deverá então ser riscado do livro. O bem estar e a pureza da igreja devem ser salvaguardados para que possa estar sem mancha diante de Deus, revestida da justiça de Cristo. À igreja foi conferido o poder de agir em lugar de Cristo. Ela é a instrumentalidade de Deus para a conservação da ordem e da disciplina entre o Seu povo. Nela o Senhor delegou poderes para diremir todas as questões concernentes à sua prosperidade, pureza e ordem. Sobre ela impoz a responsabilidade de excluir de sua comunhão aos que são indignos dela, que pela sua conduta anticristã acarretam desonra à causa da verdade. Tudo quanto a igreja fizer de acordo com as direções dadas na palavra de Deus será sancionado no Céu”.[19]

“Ele quer ensinar a Seu povo que a desobediência e o pecado são excessivamente ofensivos a Seus olhos, e não devem ser considerados levemente. Ele nos mostra que, quando Seu povo se encontra em pecado, devem-se tomar imediatamente medidas positivas para tirar esse pecado do meio deles, a fim de que Seu desagrado não fique sobre todos”.
“Se, porém, os pecados do povo são passados por alto por aqueles que se acham em posições de responsabilidade, o desagrado de Deus estará sobre eles, e Seu povo, como um corpo, será responsável por esses pecados. No trato do Senhor com Seu povo no passado, Ele mostra a necessidade de purificar a igreja de erros”.[20]

“Limpai o campo dessa corrupção moral, atinja ela os mais altos homens nas posições mais elevadas... Muito há que nunca saberemos, mas o que é revelado torna a igreja responsável e culpada a menos que revele determinado esforço para erradicar o mal. Limpai o acampamento, pois nele há anátema”.[21]

Existem casos que desconhecemos. Talvez algum pecado até mesmo conhecido por outras pessoas, mas não pela igreja. De tais pecados a igreja não será culpada por não corrigi-los, pois os desconhece. Porém, pecados declarados, onde os membros e a direção da igreja tem conhecimento, se tais pecados não forem tratados segundo os padrões que aqui temos considerado, então a igreja será culpada diante de Deus.

“E quando alguma pessoa pecar, ouvindo uma voz de blasfêmia, de que for testemunha, seja porque viu, ou porque soube, se o não denunciar, então levará a sua iniqüidade.” Levítico 5:1.

“Deus escolheu nestes últimos dias um povo a quem fez depositários de Sua lei; e este povo terá sempre desagradáveis tarefas a executar. ‘Eu sei as tuias obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e pusestes à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achastes mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo Meu nome, e não te cansaste. Ap. 2:2, 3. Exigirá muita diligência e contínua luta o manter o mal fora de nossas igrejas. É preciso haver rígido  e imparcial exercício de disciplina; pois alguns que tem uma aparência de religião, procurarão minar a fé de outros e, às ocultas, trabalharão para se exaltar a si mesmos”.[22]

“Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado.” Levítico 19:17.

O que a inspiração nos esta dizendo é que se a igreja não faz um esforço para eliminar o mal de entre suas fileiras e preservar sua moral, o pecado de apenas um recai sobre todos como se todo o corpo eclesiástico tivesse cometido aquele mesmo pecado!

“Deus responsabilizou Eli , como sacerdote e juiz de Israel, pela condição moral e religiosa de Seu povo e, em sentido especial, pelo caráter de seus filhos. Ele devia a princípio ter tentado restringir o mal por medidas brandas; mas, se estas não dessem resultado, devê-lo-ia ter subjugado pelos meios mais severos. Incorreu no desagrado do Senhor por não reprovar o pecado e executar a justiça no pecador. Não se pôde contar com ele para que Israel fosse conservado puro. Aqueles que tem muita pouca coragem para reprovar o mal, ou que pela indolência ou falta de interesse não fazem um esforço ardoroso  para purificar a família ou a igreja de Deus,  são responsáveis pelos males que possam resultar de sua negligência ao dever. Somos precisamente tão responsáveis pelos males que poderíamos ter obstado nos outros pelo exercício da autoridade paterna ou pastoral, como se esses atos tivessem sido nossos”.[23]

“Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena. Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão sendo levados para a matança; Se disseres: Eis que não o sabemos; porventura não o considerará aquele que pondera os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? Não dará ele ao homem conforme a sua obra?” Provérbios 24:10-12.

Quando mostramos a alguém que a igreja então deve fazer o trabalho de disciplina, muitas imaginam fazer este trabalho, pois que o adúltero, o homicida, e todos aqueles que cometem pecados graves são excluídos da igreja. No entanto a inspiração nos assegura que alem de fazer este trabalho, existem pecados considerados pecados leves, quando na verdade não o são, que devem também ser considerados pela igreja e tomadas medidas para que males sutis não entrem na igreja. Vejamos alguns destes pecados e qual deve ser a atitude da igreja diante de tais dificuldades:

“Ao darem evidência de que compreendem plenamente sua posição, devem ser aceitos. Mas quando mostram que estão seguindo os costumes, modas e sentimentos do mundo, devem-se lidar fielmente com eles. Se não sentem a responsabilidade de mudar seu procedimento, não devem ser conservados como membros da igreja”. [24]

A pergunta é: O que deve portanto a igreja fazer diante de irmãos e principalmente irmãs que são influenciadas a utilizar certas modas que estão de choque contra os princípios da palavra de Deus? A resposta e bem clara: “não devem ser conservados como membros da igreja”. Desta forma, não são apenas pecados “cabeludos” que devem ser extirpados, mas também a moda quando contraria os princípios do evangelho, assim como outros pecados também semelhantes, infelizmente considerados leves. Dentre este pecados da deusa tirana, a moda, podemos, por exemplo, citar um dos mais comuns: O uso de calças por pessoas do sexo feminino. O que Deus declarou ser abominável – o que soa como algo muito terrível – é tolerado por muitas igrejas, e até mesmo defendido como roupa própria para certas atividades. Ou seja, a razão do homem é colocada em lugar da sabedoria de Deus, e muitos pseudos pastores incentivam seus membros a seguir por um caminho de destruição e imoralidade. Gostaríamos de utilizar este pouco espaço que temos para lermos algo a respeito:

“Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus.” Deuteronômio 22:5.

“Minha atenção foi chamada para o seguinte verso: ´Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus.´” Deut. 22:5. Deus não deseja que Seu povo adote essa pretensa reforma de vestuário. Trata-se de um vestuário ousado, completamente inadequado ás modestas e humildes seguidoras de Cristo.[25]

“Há um crescente tendência de as mulheres usarem vestuário e adotarem aparência mais semelhantes aos do sexo oposto e escolherem seus trajes bem parecidos com os dos homens. Mas Deus declara que isto é abominação. ´Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia. Deus determinou que houvesse clara distinção entre trajes masculinos e femininos.”[26]

“Mas, aqueles que professam ter sido lavados no sangue de Jesus, por eles derramado, vestem-se com ostentação e enfeitam seu pobre corpo mortal e ainda ousam dizer que   são seguidores  do santo, abnegado e humilde Modelo. Oh, que todos pudessem ver como Deus observa essa questão e a revelou a mim! Ao contempla-la , foi-me muito difícil de suportar e de resistir à angústia de coração que experimentei. Disse o anjo: ‘O povo de Deus é peculiar. Ele o está purificando para Si mesmo’. Vi que a aparência exterior é indicativo do coração. Quando o exterior é enfeitado com laços, golas e artigos supérfluos, isso mostra claramente que o amor por todas estas coisas está no coração. A manos que tais pessoas sejam purificadas de sua corrupção, nunca verão a Deus; pois somente ‘os limpos de coração... verão a Deus’. Mat. 5:8.
“Vi que o machado precisa ser posto à raiz da árvore. Esse tipo de orgulho não deveria ser tolerado na igreja”. ...
“Deus terá um povo separado e diferente do mundo. Se alguém sentir o desejo de imitar as modas do mundo e não subjuga-lo de imediato, Deus prontamente deixará de reconhece-lo como filho. Esse é filho do mundo e das trevas”.[27]

“Foi-me mostrado que devem ser feitos esforços decididos para mostrar os erros àqueles que não são verdadeiros cristãos, e que se eles não se transformarem, serão separados dos preciosos e santos; que Deus pode ter um povo puro e perfeito no qual deleitar-se. Não o desonrem os homens mesclando ou unindo o puro com o impuro”.[28]

Prestemos toda atenção agora na seguinte passagem:

“Fazer jugo com os que não são consagrados e ainda ser leal à verdade, é simplesmente impossível. Não podemos unir-nos com os que se estão servindo a si mesmos, que estão trabalhando conforme planos mundanos sem perdermos nossa ligação com o Conselheiro celestial”. [29]

Algumas pessoas imaginam que certas dificuldades da igreja não devem fazer parte de suas preocupações. Que basta falar a alguns e que estão livres de suas responsabilidades para manter a igreja pura. Que podem então conviver pacificamente na igreja cumprindo seu “dever de cristãos.” Contudo, a inspiração nos diz que isto e impossível. Por que? Porque a Bíblia diz que se alguém pecar deve ser feito todo um trabalho para recuperar e reformar tal pessoa, porem se tal pessoa continua no pecado, então deve levar ao conhecimento da igreja para que a igreja tome as devidas providencias disciplinares para eliminar a má influencia de seu meio. Mas se o cristão sincero faz todo este trabalho, em ir ter com a alma, aconselhar, e, ao levar ao conhecimento da igreja, a mesma não toma as medidas corretivas para manter o mal fora de suas fileiras? O que deve o cristão fazer então? A inspiração nos diz que tal igreja não deve mais ser considerada como sendo a igreja de Deus, a coluna e firmeza da verdade, pois Cristo disse que sobre a igreja as portas do inferno não prevaleceriam. Se a igreja se encontra então defendendo o pecado, não deve mais ser considerada como igreja de Deus.

“Não poderiam considerar os que procuravam excluir o testemunho da palavra de Deus como constituindo a igreja de Cristo.”[30]

“Preferi a pobreza, a ignomínia, a separação dos amigos ou qualquer outro sofrimento, a manchardes vossa vida com o pecado. Antes a morte que a desonra ou a transgressão da lei de Deus – este deve ser o moto de cada cristão. Como um povo que professa ser reformador, de posse das mais solenes e purificadoras verdades da palavra de Deus, devemos elevar a norma, muito mais do que está acontecendo agora. Deve-se tratar prontamente com o pecado e os pecadores na igreja, para que outros não sejam contaminados. A verdade e a pureza exigem que façamos uma obra completa para purificar o acampamento de Aças. Que os que ocupam posições de responsabilidade não sofram pecado num irmão. Mostrai-lhe que ele, ou tira o pecado, ou é separado da igreja”.[31]

A colheita neste caso não é no fim do tempo da graça, muito menos podemos esperar até o fim do mundo. De acordo com o que vimos acima, deve ser efetuada no ato do pecado. Os ceifeiros são os homens, ou seja, a igreja.



3ª APLICAÇÃO: NO CORAÇÃO

Existe também outra aplicação desta parábola, que como já notamos é no coração, ou seja, em nossa mente. Vejamos:

A – O Semeador representa Jesus – “O Semeador semeia a palavra. Cristo veio para semear o mundo com a verdade”.[32]

Nesta aplicação o campo não e o mundo nem a igreja, mas o coração.

B – O campo é o coração – “Satanás nunca dorme. Está vigilante, e aproveita todo ensejo para fazer seus agentes disseminarem erros, que encontram solo propício em muitos corações não santificados”.[33]

A boa semente não são pessoas cristãs, mas é a verdade que se encontra na palavra de Deus.

C – A boa semente representa a verdade – “A semente lançada ao pé do caminho representa a palavra de Deus quando cai no coração de um ouvinte desatento”.[34]

O joio não são os ímpios no mundo, nem falsos crentes na igreja, mas nesta terceira aplicação o joio é o erro.

D – O joio são doutrinas errôneas – “(Satanás) aproveita todo ensejo para fazer seus agentes disseminarem erros, que encontram solo propício em muitos corações não santificados”.[35]

E – O semeador do joio representa Satanás – “Caso houvesse sido mantida fidelidade e vigilância, se não houvesse havido sono ou negligência por parte de alguém, o inimigo não teria tido tão favorável ensejo de semear joio entre o trigo”.[36]

Quando deverá ser feita a colheita do joio neste campo, ou seja no coração? Poderemos, assim como na aplicação do mundo deixá-lo para ser colhido apenas na segunda vinda de Jesus? Ou quem sabe, como vimos na segunda aplicação, deixá-lo para ser tirado do coração apenas no fechamento da porta da graça? A inspiração nos diz que por este tempo será tarde demais para se suprirem as necessidades da alma. [37] Quando então devemos fazer esta colheita?

F - A colheita deve ser feita hoje, agora! Heb. 3:7. “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz,...”.

“Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.” II Coríntios 6:2.

G – Os ceifeiros somos nós mesmos, a própria pessoa.

“Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor DEUS. E estes três homens estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nem a filhos nem a filhas livrariam; eles só ficariam livres, e a terra seria assolada.” Ezequiel 14:14, 16.

Que Nosso pai celestial tenha de nós misericórdia e nos dê graça para que possamos fazer esta obra em nossas vidas. Que tudo aquilo que possa nos separar de Seu indescritível amor, seja eliminado de nós. Lembremo-nos de que Jesus fez tudo para que pudéssemos através dEle ter poder para vencer a maior batalha, a batalha que é travada contra nós mesmos, contra o mal que está arraigado em nossos corações. Ele pode fazer a limpeza de alma tão necessária para nossa felicidade presente e futura. Ele diz: “Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele Comigo”. Apoc. 3:20. Amém!

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ABREVIATURAS

TS – Testemunhos Seletos – Casa Publicadora Brasileira
TM – Testemunhos para Ministros – Casa Publicadora Brasileira
PJ – Parábolas de Jesus – Casa Publicadora Brasileira
PE – Primeiros Escritos – Casa Publicadora Brasileira
PP – Patriarcas e Profetas – Casa Publicadora Brasileira
I T – Testemunhos para a igreja – Casa Publicadora Brasileira
ME – Mensagens Escolhidas – Casa Publicadora Brasileira
EF – Eventos Finais – Casa Publicadora Brasileira
OE – Obreiros Evangélicos – Casa Publicadora Brasileira
BC – Comentário Bíblico – Casa publicadora Brasileira
GC – Grande Conflito – Casa Publicadora Brasileira




[1] II TS 12, 13.
[2] PJ 70.
[3] PJ 70.
[4] TM 46.
[5] PJ 70.
[6] PJ 70, 71.
[7] PJ 72, 73.
[8] PJ 71.
[9] PJ 71.
[10] TM 46.
[11] PJ 72.
[12] PE 270, 271.
[13] II TS 164.
[14] I T 251.
[15] I TS 479.
[16] III ME 385.
[17] SC 49.
[18] PJ 71.
[19] OE 495, 496.
[20] I TS 334.
[21] TM 427, 428.
[22] II TS 210.
[23] PP 618, 619.
[24] TM 128.
[25] I TI 457.
[26] I TI 460.
[27] I T 136, 137.
[28] I TI 117, 118.
[29] 5 BC 1086.
[30] GC 376.
[31] II TS 37, 38.
[32] PJ 37.
[33] I TS 311.
[34] PJ 44.
[35] I TS 311.
[36] I TS 311.
[37] PJ 412.