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domingo, 14 de julho de 2019
segunda-feira, 1 de julho de 2019
sexta-feira, 15 de março de 2019
ELLEN WHITE CONFIRMOU COMO VERDADE REVELADA OS
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS ALEGADAMENTE ANTITRINITARIANOS DE 1872?
Uma Breve
Refutação de um dos principais argumentos dos antitrinitarianos.
Por: Reginaldo Castro.
Não
é por acaso que os dissidentes antitrinitarianos proclamam retumbantemente que
a crença atual na Trindade constitui uma apostasia da verdade. Há um raciocínio
bem específico que sustenta essa acusação deles. Nesse breve artigo, quero
delinear com precisão esse raciocínio e em seguida avaliar sua validade lógica
bem como sua base factual, isto é, seu fundamento nos fatos.
Para
entender bem o argumento antitrinitariano, é preciso apresentar algumas
informações históricas. Em 1872, Uriah Smith escreveu um documento com o
seguinte título: A Declaration of the
Fundamental Principles Taught and Practiced
by the Seventh-day
Adventists [Uma Declaração dos Princípios Fundamentais Ensinados e
Praticados pelos Adventistas do Sétimo Dia]. Esses princípios foram reimpressos
na Signs of the Times do dia 4 de Junho de 1874. Essa declaração de crença
continha 25 artigos de fé, cobrindo uma gama de assuntos como Deus, Cristo, as
Escrituras, o Batismo, o Juízo, o Sábado, o estado dos mortos etc. Porém, os
pontos que nos interessam aqui são os que definem Deus, Cristo e Espírito de
Deus, os quais são, respectivamente, o 1, o 2 e o 16. Esses pontos são
explicitamente antitrinitarianos? Vejamos.
“1.
Que existe um Deus pessoal, ser espiritual, o Criador de todas as coisas,
onipotente, onisciente, e eterno;
infinito em sabedoria, santidade, justiça,
bondade, verdade, e misericórdia; imutável, e presente em todo o lugar
por seu representante, o Espírito Santo. Salmo 139:7.”
"2.
Que existe um Senhor, Jesus Cristo, o Filho do Eterno Pai, aquele por quem Ele criou todas as
coisas e por meio de quem elas existem ;
que Ele assumiu a natureza da semente de Abraão para a redenção de nossa raça
caída; que habitou entre os homens cheio de graça e verdade, viveu nosso
exemplo morreu nosso sacrifício, foi ressuscitado para nossa justificação,
ascendeu ao alto para ser nosso único mediador no santuário celestial, onde,
com seu próprio sangue, faz expiação por nossos pecados, cuja expiação, longe
de ter sido feita na cruz, onde se deu somente a oferta do sacrifício, é a
última porção de sua obra como sacerdote segundo o exemplo do sacerdócio
levítico, que prenunciava e prefigurava o ministério do Senhor no céu. Ver Lev.
16; Heb. 8:4, 5; 9:6, 7.
"16. Que o Espírito de Deus foi prometido para manifestar-se na Igreja mediante
certos dons, enumerados especialmente em 1 Cor. 12 e Efé. 4; que esses dons não
têm desígnio de superar, ou tomar o lugar, da Bíblia, que é suficiente para
fazer-nos sábios para a salvação, mais do que a Bíblia pode tomar o lugar do
Espírito Santo; que, ao especificar os vários canais de sua operação, o
Espírito tem simplesmente feito provisão para sua própria existência e presença
com o povo de Deus até o fim do tempo, para conduzir a um entendimento dessa
palavra que inspirou, para convencer do pecado, e operar uma transformação no
coração e vida; e que aqueles que negam ao Espírito o seu lugar e operação,
negam de fato plenamente essa parte da Bíblia que lhe atribui esta obra e
posição.”
A
alegação do opositor é que esses princípios apresentam uma visão
antitrinitariana (semi-ariana) da Divindade, ou seja, que somente o Pai é o
Deus eterno; que Cristo é o Filho do Deus eterno. Isso significaria duas
coisas: uma, que Cristo foi literalmente gerado pelo Pai na eternidade, tendo,
portanto, um início; dois, que Cristo, como Filho, herda a mesma natureza do
Pai, sendo, portanto, divino e revestido de todas as honras devidas ao Pai. O
Pai possui toda a glória porque lhe é inerente; o Filho possui toda a glória
porque esta lhe foi conferida. E o Espírito Santo seria apenas o poder e a
influência divina mediante a qual Pai e Filho atuam e são representados.
Depois
de estabelecer que os Princípios Fundamentais de 1872 defendiam o
antitrinitarianismo, os dissidentes partem para a cartada final, ao afirmarem
que Ellen White confirmou, com seu dom profético, a veracidade desses
Princípios. Dois textos de Ellen White que são usados por eles sãos os
seguintes:
“Os principais pontos
de nossa fé como temos abraçado hoje estão firmemente estabelecidos. Ponto após ponto foram claramente definidos, e todos os irmãos estão
juntos em harmonia. O grupo inteiro
dos crentes está unido na verdade.
Existiram aqueles que vieram com estranhas doutrinas, mas nos nunca
tememos nos encontrar com eles. As
nossas experiências foram maravilhosamente estabelecidas pelo Espírito Santo.” (Ellen
White. Manuscrito 135, 1903).
"Mensagens
de toda espécie e feitio têm feito pressão sobre os adventistas do sétimo dia, pretendendo substituir a verdade que,
ponto por ponto, tem sido buscada com estudo e oração, e atestada pelo poder
milagroso do Senhor. Mas os
marcos que nos tornaram o que somos, devem ser preservados, e sê-lo-ão,
conforme Deus o mostrou mediante Sua
Palavra e o testemunho de Seu Espírito. Ele nos conclama a nos apegarmos
firmemente, com a mão da fé, aos princípios
fundamentais baseados em autoridade inquestionável." (Mensagens
Escolhidas, vol. 1, p. 208).
Os
textos acima não são os únicos citados por eles, mas representam bem o tipo de
texto de Ellen White que eles usam para argumentarem que a profetisa de fato
confirmou, pela inspiração do Espírito Santo, que a visão semi-ariana da
Divindade supostamente ensinada no texto dos Princípios de 1872 era a
verdadeira. Como hoje a crença da Igreja é de que Deus existe eternamente em
três Pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – os dissidentes acusam os
trinitarianos de apostasia, uma vez que abandonaram a verdade sobre a Divindade
atestada pelo Espírito Santo mediante o ministério profético de Ellen White. O
argumento do dissidente procede? Houve, de fato, uma mudança da verdade para o
erro? Vamos agora submeter essa tese a uma breve análise.
Existem
pelo menos três observações que pulverizam esse argumento antitrinitariano. Primeira, o texto, tal como se encontra nos
Princípios de 1872, não defendem o antitrinitarianismo. O prof. Balbach
observa:
“Nesses
Princípios Fundamentais (1872), nem o arianismo nem o trinitarianismo são
mencionados entre as crenças adventistas fundamentais. Nem era o
antitrinitarianismo alistado em outras declarações do que era entendido como
verdade presente. J. N. Loughborough, em O Grande Movimento
Adventista, cuidadosamente traça o desenvolvimento de toda doutrina
importante e verdade definidora do adventismo dos primeiros tempos.. Ele
SILENCIA sobre o antitrinitarianismo como um ponto da verdade presente. O
livro Synopsis of Present Truth [Resumo da Verdade Presente], que
se baseava nas Conferências de Tiago White e Uriah Smith no Instituto
Bíblico, não se refere ao
antitrinitarianismo como uma doutrina entre os adventistas do sétimo dia. Esse
silêncio é significativo, pois essas conferências foram apresentadas para o
propósito mesmo de guiar o ministério adventista à unidade em toda a verdade
presente.” (Alfons
Balbach. Considerações Sobre a Divindade, p. 20, 21).
Os
termos usados na redação dos pontos referentes a Deus, Cristo e ao Espírito de
Deus podem ser tranquilamente interpretados de forma que preserve a tese
trinitária. Observe que o texto afirma que há um Deus, no caso o Pai, Jesus
Cristo, o Filho do Eterno Pai e o Espírito de Deus. Não há nada de caráter
antitrinitário nesses termos. É verdade que, em 1872, a visão predominante
ainda era a antitrinitariana, mas estamos analisando o texto tal como está,
pois se Ellen White aprovou esse texto, precisamos verificar se nele há uma
explícita negação da doutrina da Trindade. Se não há, o antitrinitariano não
pode afirmar, ainda que ela tivesse aprovado o texto, que a profetisa confirmou
princípios antitrinitarianos, pois ela teria aprovado o texto, o qual não nega
a Trindade, embora o seu autor fosse semi-ariano. O fato é que nenhuma linha do
que Uriah Smith escreveu conflita com a visão trinitária da Divindade. Portanto,
EGW poderia aprová-lo sem com isso estar legitimando o semi-arianismo de Smith.
Segunda observação: Ellen
White NUNCA afirmou que os Princípios Fundamentais de 1872 foram milagrosamente
confirmados pelo Espírito Santo. Os
dois textos, do Manuscrito 135 (1903), e o de Mensagens Escolhidas, vol. 1, p.
208, geralmente usados pelos antitrinitarianos, de fato estão falando dos
princípios fundamentais, dos marcos antigos, das doutrinas definidoras do
adventismo, as quais foram o resultado de muita oração, estudo da Bíblia e
confirmação por meio das visões da mensageira do Senhor. O problema é que, ao
analisar o contexto dessas duas passagens, constata-se que Ellen White de forma
alguma está se referindo ao documento de 1872. Vamos ler o contexto (parágrafos
precedentes) dos dois trechos, respectivamente.
“Meu
marido, o pastor José Bates, o pai Pierce, o pastor Edson, um homem ávido,
nobre e verdadeiro, e muitos outros cujos nomes não consigo recordar agora,
estavam entre aqueles que, após a passagem do tempo em 1844,
buscaram a verdade. Em nossas reuniões importantes, esses homens se
reuniam e buscavam a verdade como a um tesouro escondido. Reunía-me
com eles e estudávamos e orávamos fervorosamente, pois sentíamos
que era nosso dever aprender a verdade de Deus. Muitas vezes ficávamos
reunidos até alta noite e, às vezes, a noite toda, orando por luz e estudando a
palavra. Quando jejuamos e oramos, um grande poder veio sobre nós. Mas eu não
conseguia entender o raciocínio dos irmãos. Minha mente estava por assim dizer
fechada e eu não conseguia compreender o que estávamos estudando. Então o
Espírito de Deus vinha sobre mim, eu era arrebatada em visão, e era-me dada uma
clara explicação das passagens que estávamos estudando, com instruções sobre a
posição que deveríamos tomar em relação à verdade e ao dever. Foi-me tornada clara uma sequência de
verdades que se estendia daquele tempo até ao tempo em que entraremos na cidade
de Deus, e transmiti a meus irmãos e irmãs a instrução que o Senhor me deu.
Eles sabiam que, quando eu não estava em visão, eu não conseguia entender esses
assuntos e aceitavam como luz direta do céu as revelações dadas. Os
principais pontos de nossa fé, como os mantemos hoje, foram firmemente
estabelecidos. Ponto após ponto foi claramente definido, e todos os irmãos
entraram em harmonia. Toda a companhia dos crentes estava unida na verdade.
Houve aqueles que vieram com doutrinas estranhas, mas nunca tivemos medo de
enfrentá-los. Nossa experiência foi maravilhosamente confirmada pela
revelação do Espírito Santo.” - Manuscrito 135 (1903).
“Que influência essa, que desejaria levar os homens,
neste período de nossa história, a trabalhar de modo enganador e poderoso, para
solapar os alicerces de nossa fé — alicerces QUE FORAM LANÇADOS NO
PRINCÍPIO DE NOSSA OBRA mediante DEVOTO ESTUDO DA PALAVRA E PELA
REVELAÇÃO? Sobre esses alicerces temos estado a construir, nos
últimos CINQUENTA anos. Admirai-vos de que, quando vejo o princípio de
uma obra que pretende remover alguns dos pilares de nossa fé, tenha algo a
dizer? Tenho de obedecer à ordem: “Enfrentai-o!”. Tenho de proclamar as
mensagens de advertência que Deus me dá para divulgar, e então deixar com o
Senhor os resultados. Tenho de agora apresentar o assunto em todos os seus
aspectos, pois o povo de Deus não deve ser despojado. Somos o povo de Deus,
observador dos mandamentos. Nos passados cinquenta anos tem-se
feito pressão sobre nós com toda sorte de heresias, a fim de embotar-nos o
espírito em relação aos ensinos da Palavra — especialmente quanto ao
ministério de Cristo no santuário celestial e à mensagem do Céu para estes
últimos dias, como foi dada pelos anjos do décimo quarto capítulo do
Apocalipse. Mensagens de toda espécie e feitio têm feito pressão sobre
os adventistas do sétimo dia, pretendendo substituir a verdade que, ponto
por ponto, foi buscada com estudo e oração, e atestada pelo poder milagroso do
Senhor. Mas OS MARCOS que nos tornaram o que somos, devem ser
preservados, e sê-lo-ão, conforme Deus o mostrou mediante Sua Palavra e
o testemunho de Seu Espírito. Ele nos conclama a nos apegarmos firmemente, com
a mão da fé, aos princípios fundamentais baseados em autoridade inquestionável.”
- Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 208.
Note-se que algumas expressões se repetem ou são
equivalentes. “Após a passagem do tempo”, “Nos passados cinquenta anos” (o
texto de ME é de 1904, os cinquenta anos é uma média que vai chegar lá nos
primeiros anos do movimento. O próprio texto se refere ao “princípio de nossa
obra”). Os dois textos mencionam o estudo dedicado da Bíblia e a Revelação do
Espírito. É inegável que os dois textos estão se referindo a mesma época: os
primeiros anos após a passagem de 1844, quando os primeiros adventistas se
entregaram completamente à oração e se debruçaram intensamente sobre a Bíblia a
fim de aprenderem o que é a verdade. Seus esforços foram recompensados pela
atuação do Espírito de Deus por meio do dom profético de Ellen White. Durante
esse período inicial, os pilares da fé adventista foram estabelecidos. Em outro
texto, ela faz a mesma recordação. Note semelhança nas expressões:
“Os cinquenta anos passados não
apagaram um jota ou princípio de nossa fé ao recebermos as grandes e
maravilhosas evidências que se tornaram certas para nós em 1844, após a
passagem do tempo [...] Aquilo que o Espírito Santo testificou
como verdade após a passagem do tempo, em nosso grande desapontamento,
é o sólido fundamento da verdade. Os pilares da verdade foram revelados e
nós aceitamos os princípios fundamentais que nos tornaram o que somos –
adventistas do sétimo dia, observando os mandamentos de Deus e tendo a
fé de Jesus.” (CARTA 326, 1905).
Creio que esteja mais do que claro que os
antitrinitarianos fazem uma aplicação totalmente enganosa desses textos. quando
os aplicam ao princípios de 1872. O contexto se refere aos anos iniciais após a
passagem de 1844. No próximo texto, Ellen White deixará bem claro que doutrinas
são essas que foram os frutos de muita oração, estudo da Palavra e que o
Espírito Santo, por meio de visões, confirmou a veracidade bíblica dessas
doutrinas. Preste muita atenção no texto a seguir.
“Em Mineápolis, Deus concedeu preciosas gemas da
verdade ao Seu povo. Essa luz do Céu enviada a algumas pessoas foi rejeitada
com toda a resistência que os judeus manifestaram ao rejeitar a Cristo, havendo
muita discussão em torno da defesa dos antigos marcos. Ficou evidente,
porém, que quase nada sabiam sobre o que eram os antigos marcos. Ficou
claro e foram feitos apelos diretos à consciência com base na Palavra de Deus;
contudo, as mentes estavam cauterizadas, seladas contra a entrada da luz, porque
decidiram que seria um perigoso erro remover os “marcos antigos” quando não se
estava removendo nada, além das idéias errôneas do que constituíam os
antigos marcos. O passar do tempo em 1844 foi um período de
grandes acontecimentos, expondo ao nosso admirado olhar a purificação do
santuário que ocorre no Céu, e tendo clara relação com o povo de Deus
na Terra, e com as mensagens do primeiro, do segundo e do terceiro anjos,
desfraldando o estandarte em que havia a inscrição: “Os mandamentos de
Deus e a fé de Jesus.” Um dos marcos desta mensagem era o templo
de Deus, visto no Céu por Seu povo que ama a verdade, e a arca, que
contém a lei de Deus. A luz do sábado do quarto mandamento lançava
os seus fortes raios no caminho dos transgressores da lei de Deus. A
não-imortalidade dos ímpios é um marco antigo. Não consigo
lembrar-me de alguma outra coisa que possa ser colocada na categoria dos
antigos marcos. Todo esse rumor sobre a mudança do que não deveria ser
mudado é puramente imaginário. (O Outro Poder, p. 21 [Manuscrito 13, 1889]).
A QUAIS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS EGW ESTAVA SE
REFERINDO?
- A purificação do santuário celestial
- A tríplice mensagem angélica
- Os mandamentos de Deus
- A fé em Jesus
- O sábado
- A não imortalidade dos ímpios.
Estes são, de acordo com a voz profética, os MARCOS
ANTIGOS QUE NOS TORNAM O QUE SOMOS. Estas são as doutrinas chamadas de pilares
de nossa fé, os principais pontos de nossa fé, dentro do contexto das passagens
citadas pelos antitrinitarianos. Aliás, pergunto agora a eles: onde está a
visão semi-ariana da Divindade como um dos marcos antigos classificados pela
própria Ellen White no texto acima, escrito em 1889? Nem sinal. Portanto,
comprova-se documentalmente que o argumento antitrinitariano é infundado.
É importante ressaltar que uma doutrina verdadeira e
atestada pelo Espírito de Deus não é necessariamente uma doutrina que pertença
à categoria dos marcos antigos. Por exemplo: note que a Sra. White não menciona
justiça pela fé, matrimônio, reforma de saúde, reforma do vestuário, etc. Para
entender isso, precisamos observar que quando Ellen White define os marcos
antigos no texto do Manuscrito 13, de 1889, a palavra que ela usa e que é
traduzida por marcos antigos é LANDMARK. No Webster's 1828 American
Dictionary of the English Language - que foi o dicionário padrão de Inglês
ao longo da vida de Ellen White – define landmark da seguinte forma:
“1. Marca que aponta o limite da terra;
qualquer marca ou objeto fixo; como uma árvore marcada, uma pedra, uma vala ou
um monte de pedras, pelo qual os limites de uma fazenda, uma cidade ou outra
parte do território podem ser conhecidos e preservados.”
Ou seja, um “landmark” se refere a algo que delimita
um território, que IDENTIFICA uma determinada área. Em nosso contexto, quando
EGW fala de algumas doutrinas como sendo as “landmarks” do adventismo, ela está
dizendo que essas são as crenças que IDENTIFICAM O O ADVENTISMO, SÃO AS
DOUTRINAS QUE DEMARCAM, DISTINGUEM NOSSO TERRITÓRIO TEOLÓGICO, tal como estacas
que demarcam a distinção de um campo em meio aos outros ao redor. Por isso ela
diz que são marcos que nos tornam o que somos. A purificação do santuário
celestial, a tríplice mensagem angélica, os mandamentos de Deus, a fé em Jesus,
o sábado, a não imortalidade dos ímpios são doutrinas que de fato NOS
IDENTIFICAM, NOS TORNAM O QUE SOMOS. Nenhuma outra igreja defende essas
doutrinas dentro do contexto do Santuário Celestial e da Tríplice Mensagem
Angélica. Já a justiça pela fé, o matrimônio, a reforma de saúde, a reforma do
vestuário, etc SÃO DOUTRINAS VERDADEIRAS, MAS NÃO DISTINTIVAS. Essas doutrinas
não nos identificam automaticamente.
Retomando: a visão antitrinitariana da Divindade
jamais aparece como um dos antigos marcos, algo estranho e incompreensível se
os textos de EGW em questão estão realmente legitimando o suposto
antitrinitarianismo dos princípios fundamentais de 1872.
O
parágrafo inicial do documento escrito por Smith traz uma informação muito
importante para a nossa discussão aqui. Veja:
“Ao apresentar ao público esta sinopse de nossa fé,
desejamos que seja distintamente compreendido que não temos nenhum artigo de
fé, credo ou disciplina, além da Bíblia. Não apresentamos isto como tendo
qualquer autoridade sobre nosso povo, nem é destinado a assegurar uniformidade
entre ele, como um sistema de fé, mas é uma breve declaração do que é e
tem sido, com grande unanimidade, mantida por ele. Com frequência achamos
necessário responder a indagações sobre este assunto. ” - [Uriah Smith], A
Declaration of the Fundamental Principles Taught and Practiced by the
Seventh-day Adventists (Battle Creek, MI: Steam Press, 1872).
Assim,
a terceira observação é: o próprio Uriah Smith deixou claro que o documento em
questão não deveria ser tomado como um credo fechado. Os
antitrinitarianos têm muita dificuldade de entenderam esse ponto. Eles se
esquecem de como o próprio Smith e os pioneiros pensavam sobre a questão da
progressão no conhecimento do que é a verdade. Com a palavra, os pioneiros:
"Temos conseguido regozijar-nos em verdades muito além do que então percebíamos.
[...] MAS NÃO PENSAMOS DE MODO ALGUM QUE JÁ SABEMOS TUDO. ESPERAMOS AINDA
PROGREDIR, DE FORMA QUE NOSSA VEREDA SE TORNE CADA VEZ MAIS BRILHANTE ATÉ SER
DIA PERFEITO. Que mantenhamos SEMPRE UM ESTADO MENTAL INQUIRIDOR,
BUSCANDO MAIS LUZ E MAIS VERDADE.” (Uriah Smith. RH, 30 de Abril de 1857). Agora
Tiago White:
"Nunca foram as Sagradas Escrituras tão
valorizadas pelo remanescente como agora. Quando o testemunho da Bíblia para
começar o dia ao pôr do sol foi apresentado em clara luz, assim como outros
assuntos foram apresentados na Review, eles [os primeiros adventistas] de bom
grado abraçaram esse testemunho. E NÓS ACREDITAMOS QUE ELES MUDARIAM OUTROS
PONTOS DE SUA FÉ SE ELES PUDESSEM VER UMA BOA RAZÃO PARA FAZÊ-LO A PARTIR DAS
ESCRITURAS." (RH, 7 de Fevereiro de 1856).
Será que Ellen White pensava diferente?
"Percepções nítidas e claras da verdade nunca
serão a recompensa da indolência. A investigação de cada ponto que foi
recebido como verdade irá ricamente recompensar o pesquisador; ele encontrará
pedras preciosas. E, investigando de perto todo jota e til que achamos ser
verdade estabelecida, comparando escritura com escritura, podemos
descobrir erros em nossa interpretação das Escrituras. Cristo quer que
o pesquisador de sua palavra cave fundo nas minas da verdade. Se a pesquisa for
realizada corretamente, serão encontradas jóias de valor inestimável. A palavra
de Deus é a mina das insondáveis riquezas de Cristo." (Review and Herald,
12/07/1898).
“Há homens entre nós que professam compreender a
verdade para estes últimos dias, mas que não investigarão com calma a verdade
mais recentemente estabelecida. Estão decididos a não avançar além das
estacas que estabeleceram e não ouvirão aqueles que, dizem eles, não estão em
defesa dos marcos antigos. São tão autossuficientes que tornam impossível que
argumentemos com eles. Eles consideram uma virtude estar em discórdia com seus
irmãos e fechar a porta, para que a luz não encontre uma entrada para o povo de
Deus. Isso exigirá sabedoria celestial para saber como lidar com esses
casos. A luz virá para o povo de Deus, e aqueles que tentarem fechar a porta
irão se arrepender ou serão removidos do caminho. Chegou o momento em que um
novo ímpeto deve ser dado ao trabalho. Há cenas terríveis diante de nós, e
Satanás está tentando fazer com que não chegue ao nosso conhecimento
precisamente as coisas que Deus quer conheçamos. Deus tem mensageiros e
mensagens para o Seu povo. Se forem apresentadas ideias que diferem em
alguns pontos de nossas doutrinas anteriores, não devemos condená-las sem uma
busca diligente da Bíblia para ver se elas são verdadeiras. Devemos jejuar e
orar e pesquisar as Escrituras, como fizeram os nobres bereanos, para ver se
essas coisas são assim. Precisamos aceitar todos os raios de luz que nos
chegam. Por meio de fervorosa oração e diligente estudo da Palavra de Deus, as
coisas sombrias serão esclarecidas para o entendimento.” (Signs of the Times,
26/05/1890).
O ponto que estou estabelecendo aqui é claro: os
pioneiros entendiam que poderiam crescer no conhecimento das verdades
doutrinárias incluindo a possiblidade de terem se equivocado nas crenças que já
defendiam. Como os antitrinitarianos provam que essa possibilidade não envolvia
o antitrinitarianismo semi-ariano dos contemporâneos de Ellen White? Não podem
provar.
Em resumo, o argumento antitrinitariano
falha pelas seguintes razões:
1. A declaração de 1872 em si mesma não defende o
antitrinitarianismo. Isso se confirma quando vemos que as obras de Loughborough
e Smith, sobre a história das verdades basilares do movimento e que apresenta
um resumo da verdade presente, respectivamente, não mencionam nada de caráter
antitrinitário.
2. As passagens de EGW em seus contextos não se
referem aos princípios fundamentais de 1872, mas às verdades estudadas e
confirmadas pelo Espírito Santo nos anos iniciais do Movimento Adventista.
3. O próprio Uriah Smith afirma logo no primeiro
parágrafo que o documento de 1872 não possuía qualquer autoridade sobre o povo
no sentido de um credo imutável. Isso reflete não só o pensamento dele, mas dos
pioneiros quanto à natureza dinâmica da verdade. Ou seja, eles não se fechavam dentro
do que já tinham aprendido e estavam abertos para aprenderem mais, mesmo que
isso significasse renunciar crenças já abraçadas. A própria EGW claramente
defendia a possibilidade de haver erros doutrinários e que poderiam ser
corrigidos com o progresso do estudo das Escrituras com a orientação do
Espírito Santo. Obviamente, doutrinas confirmadas como verdadeiras pela
manifestação do Espírito por meio do dom profético não estavam sujeitas a
mudanças. No entanto, TEXTO NENHUM MOSTRA O ESPÍRITO DE DEUS USANDO SUA SERVA A
FIM DE CONFIRMAR A VISÃO ANTITRINITARIANA DOS PIONEIROS.
Dessa forma, com essas observações, o argumento
antitrinitariano desmorona.
quarta-feira, 20 de junho de 2018
O CÂNTICO DE MOISÉS E DO CORDEIRO

Alguns tem perguntado: Se o Hino de Moisés será
cantado somente pelos 144.000, porque Ellen White diz que “milhares
e dezenas de milhares, e uma incontável multidão de remidos” (White, E. G. Testemunhos para Ministros, pg.
433. Casa Publicadora Brasileira), entoará
este cântico? Então o número dos 144.000 representa um número bem maior de
salvos?
Bem, temos na inspiração, inúmeros motivos claros e
incontestáveis para vermos que o grupo de salvos que compõem os 144.000 é um
grupo distinto e diferente da grande multidão. Os 144.000 é um grupo contado
(Apocalipse 7:4), a grande multidão não pode ser contada (Apocalipse 7:9). Não
teria lógica os dois grupos comporem um único grupo.
Os 144.000 são selados das 12 tribos do Israel
espiritual, pois são da igreja de Deus, que conhecem a verdade, a tríplice
mensagem angélica (Apocalipse 7:4). Já sobre os salvos da grande multidão, é
dito deles, que são de todas as nações, de todas as tribos da Terra
(Apocalipse 7:9). Ou seja, não pertenciam à igreja organizada de Deus nos
últimos dias. Não é dito da grande multidão, portanto, que a mesma é das 12 tribos
de Israel como é dito dos 144.000!
A inspiração também nos mostra outras provas
incontestáveis da distinção dos 144.000 da grande multidão. No reino de Deus,
por exemplo, existe um templo onde somente os 144.000 podem entrar, os demais
salvos não:
“No trajeto encontramos uma multidão
que também contemplava as belezas do lugar. Notei a cor vermelha na borda de
suas vestes, o brilho das coroas e a alvura puríssima dos vestidos. Quando os
saudamos, perguntei a Jesus quem eram eles. Disse que eram mártires que por Ele
haviam sido mortos. Com eles estava uma inumerável multidão de crianças que
tinham também uma orla vermelha em suas vestes. O Monte Sião estava exatamente
diante de nós, e sobre o monte um belo templo, em cujo redor havia sete outras
montanhas, sobre as quais cresciam rosas e lírios... E quando estávamos para
entrar no santo templo, Jesus levantou Sua bela voz e disse: "Somente
os 144.000 entram neste lugar", e nós exclamamos: "Aleluia"! (White, E. G. Primeiros Escritos, pg. 19. Casa
Publicadora Brasileira).
Não houvesse distinção entre os demais salvos e os
144.000, e não haveria tal restrição.
Outra prova incontestável encontramos
também na seguinte declaração onde vemos os salvos em grupos distintos:
“Mais próximo do trono estão os que já
foram zelosos na causa de Satanás, mas que, arrancados como tições do fogo,
seguiram seu Salvador com devoção profunda, intensa." (Agora os 144.000): "Em seguida estão os que aperfeiçoaram um caráter cristão em meio de
falsidade e incredulidade, os que honraram a lei de Deus quando o mundo
cristão a declarava nula”, “e os milhões de todos os séculos
que se tornaram mártires pela sua fé." (Agora a grande multidão): "E
além está a ‘multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e
tribos, e povos, e línguas,... trajando vestidos brancos e com palmas nas suas
mãos’. Apoc. 7:9.” (White, E. G. O
Grande Conflito, pg. 665. Casa Publicadora Brasileira).
Como eu disse, incontestável!!
Existem logicamente dezenas de outros motivos para
vermos uma clara distinção entre os salvos da grande multidão e os 144.000, mas
vamos à questão sobre o motivo da inspiração mencionar o hino de Moisés e do
Cordeiro, sendo cantado por todos os salvos:
É bom notarmos, que o texto do Espírito de profecia
menciona dois hinos:
1º - O Hino de Moisés
“Quando findar o conflito terreno, e os
santos forem recolhidos ao lar, nosso primeiro tema será o cântico de
Moisés.” (White, E. G. Testemunhos para
Ministros, pg. 433. Casa Publicadora Brasileira).
“Com o cordeiro, sobre o
monte de Sião, ‘tendo harpas de Deus’, estão os cento e quarenta e quatro mil que
foram remidos dentre os homens; e ouve-se como o som de muitas águas, e de
grande trovão, ‘uma voz de harpistas, que tocava, com suas harpas’. E cantavam
um cântico novo diante do trono – cântico que ninguém podia aprender senão os
cento e quarenta e quatro mil. É o hino de Moisés e do
Cordeiro – hino de livramento. Ninguém, a não ser os cento e quarenta e
quatro mil, pode aprender aquele canto, pois é o de sua experiência – e
nunca ninguém teve experiência semelhante.” (White, E. G. O Grande Conflito, pg. 649).
Algumas pessoas ao lerem o texto acima não percebem
que o hino do Cordeiro é cantado por todos, a saber, os que são dos 144.000 e
os demais remidos. Neste texto, não se faz muita diferenciação entre os dois
hinos. No entanto, o primeiro, o de Moisés, é cantado apenas pelos que foram
selados e que fazem assim parte dos 144.000. Mas o outro, o do Cordeiro, é
cantado pela vasta multidão de remidos, cantado por todos aqueles que foram
lavados no sangue do Cordeiro (Apocalipse 22:14).
2º - O Cântico do Cordeiro
“O
segundo tema será o cântico do Cordeiro, o hino de graça e redenção, esse
hino será mais alto, mais elevado, e, em mais sublimes acentos, ecoando e
reecoando pelas cortes celestes. Assim é entoado o cântico da providência de
Deus, ligando a várias dispensações...Eis o tema, eis o cântico
- Cristo é tudo em todos – em antífonas de louvar a ressoarem
através do Céu, entoadas por milhares e dezenas de milhares, e uma
incontável multidão de remidos.” (Testemunhos
para Ministros, pg. 433).
Outra possibilidade também se abre diante de nós
quando lemos que todos cantarão também o cântico de Moisés. A inspiração é
muita clara ao dizer que apenas os 144.000 podem cantar este cântico, pois é o
hino de sua experiência. Como entender esta afirmação? É muito simples esta
questão: É lógico que este hino, o de Moisés, ao ser cantado, será apreciado e
aprendido por toda a hoste de remidos. Um exemplo disso é a seguinte comparação
com base no seguinte texto:
“Quem tem ouvidos, ouça o que o
Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e
dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual
ninguém conhece senão aquele que o recebe.” (Apocalipse 2:17).
Porque este novo nome será conhecido apenas pelo
que o recebe? Seria um absurdo não sabermos o nome das pessoas no Céu ou no
reino de Deus, não acha? Por que então o novo nome só é conhecido por aquele
que o recebe? Simples, por que cada qual receberá um novo nome segundo a
experiência que passou. Jacó, por exemplo, teve seu nome mudado para Israel
porque lutou com Deus e venceu. O nome Israel significa:
Aquele que luta com Deus. (Gênesis
32:27-28). O nome Israel passou a ser
conhecido universalmente depois daquela luta medonha no vau de Jaboque. No
entanto, somente Jacó conhecia profundamente o significado amplo e total
daquele nome, porque somente ele havia passado por aquela experiência.
Outras pessoas receberam também nomes segundo a
experiência que tiveram. Abrão que significa “pai da altura”, teve
seu nome mudado para Abraão que significa “pai de uma multidão” (Veja Gênesis 17:5. Nota de Rodapé Versão Revista e
Corrigida), significando que ele seria pai de uma
nação numerosa, como realmente se deu. Também Sarai teve seu nome mudado,
Saulo, etc.
Semelhantemente, o fato de que a
princípio apenas os 144.000 cantam o hino de Moisés e que somente eles sabem
cantar aquele hino, não significa, segundo a inspiração, que ninguém aprenderá
depois esse cântico. No Céu, com mentes aguçadas e abertas ao conhecimento:
Ali, mentes imortais contemplarão,
com deleite que jamais se fatigará, as maravilhas do poder criador,
os mistérios do amor que redime. Ali não haverá nenhum adversário cruel,
enganador, para nos tentar ao esquecimento de Deus. Todas as faculdades
se desenvolverão, ampliar-se-ão todas as capacidades. A aquisição de
conhecimentos não cansará o espírito nem esgotará as energias. Ali os
mais grandiosos empreendimentos poderão ser levados avante, alcançadas as mais
elevadas aspirações, as mais altas ambições realizadas; e surgirão ainda novas
alturas a atingir, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender,
novos objetivos a aguçar as faculdades do espírito, da alma e do corpo.” (White,
E. G. O Grande Conflito, pg. 677. Casa Publicadora Brasileira).
Ali todos poderão aprender em ouvir o hino de
Moisés e do Cordeiro apenas uma vez, ou qualquer outra informação nova jamais
será esquecida, porém, somente os 144.000 poderão cantar o hino de Moisés como
nenhum outro, pois é o hino de sua experiência e ninguém teve experiência
semelhante, somente eles saberão o real significado de cada palavra!
Para maiores informações:
cristiano_souza7@yahoo.com.br
segunda-feira, 12 de março de 2018
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
O Farol
"Em meio de todas as nossas provações, temos um infalível Ajudador. Não nos deixa lutar sozinhos com a tentação, combater o mal, e ser afinal esmagados ao peso dos fardos e das dores. Conquanto Se ache agora oculto aos olhos mortais, o ouvido da fé pode-Lhe ouvir a voz, dizendo: Não temas; Eu estou contigo. "Eu sou... o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre." Apoc. 1:18. Suportei as vossas dores, experimentei as vossas lutas, enfrentei as vossas tentações. Conheço as vossas lágrimas; também Eu chorei. Aqueles pesares demasiado profundos para serem desafogados em algum ouvido humano, Eu os conheço. Não penseis que estais perdidos e abandonados. Ainda que vossa dor não encontre eco em nenhum coração na Terra, olhai para Mim e vivei. 'As montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a Minha benignidade não se apartará de ti, e o concerto da Minha paz não mudará, diz o Senhor, que Se compadece de ti.' Isa. 54:10." O Desejador de Todas as Nações, pág. 484.
terça-feira, 4 de julho de 2017
quinta-feira, 25 de maio de 2017
sábado, 22 de abril de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
A Parábola do Trigo e do Joio
As Escrituras Sagradas são fonte de conhecimento e vida. Jesus mesmo disse que Suas palavras eram vida. Jo. 6:63. Na Bíblia encontramos uma fonte inesgotável de sabedoria. Quanto mais cavamos as escrituras, mais jóias preciosas encontramos. Muitas dessas jóias são encontradas nas palavras de nosso Salvador quando aqui andou entre os homens. Através de ilustrações Jesus introduzia a verdade na vida das pessoas de tal forma que seus ensinamentos jamais seriam esquecidos. As parábolas eram uma ferramenta nas mãos do poderoso Mestre com a qual ele abria corações e ensinava lições que seriam imortalizadas. Neste estudo abordaremos uma dessas parábolas e algumas das preciosas lições que a mesma encerra.
AS TRÊS APLICAÇÕES DA PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO
A Parábola do trigo e do joio tem sido mal interpretada por muitos.
Dentre as piores interpretações encontra-se aquela que diz que devemos tolerar
ate mesmo graves erros na igreja pois que Jesus disse que o trigo (os fiéis) e
o joio (os falsos crentes) devem crescer juntos na igreja até o fim. Com esta
teologia falsa e perigosa muitas igrejas procuram defender certos afastamentos
da palavra de Deus. Isto e muito triste pois a Bíblia que fora escrita para
corrigir o erro, esta sendo usada para defende-lo. Desta forma julgamos ser
necessário a luz da inspiração esclarecermos este assunto. Leiamos, pois a
parábola e aprendamos de nosso Mestre:
“Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao
homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o
seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva
cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família,
indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente?
Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os
servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse:
Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai
crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros:
Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo,
ajuntai-o no meu celeiro.” Mateus 13:24 –30.
Jesus contou a parábola, contudo não deu a explicação, esta, foi dada em
particular aos discípulos em casa.
“Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao
pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. E
ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; O
campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos
do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e
os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo,
assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e
eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem
iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de
dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem
tem ouvidos para ouvir, ouça.” Mateus 13:24 –39.
Resumidamente, a explicação é que:
A – O Semeador representa Jesus – Vers. 37.
B – O Campo é o mundo – Vers. 38.
C – A boa semente, o trigo, são os filhos de Deus – Vers. 38.
D – O joio, são os ímpios, os filhos do maligno – Vers. 38.
E – O semeador do joio representa Satanás – Vers. 39.
F – A colheita ou a ceifa é o fim do mundo – Vers. 39.
G – Os ceifeiros são os anjos – Vers. 41.
Desejamos esclarecer alguns detalhes nesta explicação, pois como já
dissemos, existem idéias equivocadas sobre a explicação de Jesus, que aliás,
fora muito clara, mas que tirada de seu verdadeiro significado pode levar
algumas pessoas a consensos errados. Vejamos: “A colheita é o fim do
mundo” disse Jesus. Aí alguns pensam: Se a colheita é o fim do mundo,
não podemos separar ninguém da igreja, devemos esperar para o fim. Contudo,
tais pessoas, que acreditamos sinceras, esquecem-se e ignoram que Jesus disse que “o
campo é o mundo” e não a igreja!
Quando ocorrerá a separação neste
campo? Ou seja, no mundo?
“Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será
na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e
eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem
iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de
dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem
tem ouvidos para ouvir, ouça. Assim será na consumação dos séculos:
virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos.” Mateus 13:39-
43,49.
Neste campo, ou seja, no mundo, realmente o joio, os filhos do maligno,
serão separados do trigo, os filhos do reino, somente quando o Filho do homem
vier e pedir a seus anjos que façam esta separação. Esta separação terá lugar,
portanto apenas na consumação deste mundo, ou na consumação dos séculos.
Enquanto este dia não chega, teremos que conviver com pessoas ruins em diversos
lugares, nos supermercados, na fila do banco, nas escolas, etc.
“Está próximo o dia em que os justos, qual semente preciosa, hão de ser
ajuntados para os celeiros celestiais, enquanto os ímpios, à semelhança do
joio, o serão para o fogo do grande dia. Mas o trigo e o joio deverão ‘crescer
ambos juntos até a ceifa’.
“No desempenho de seus deveres cotidianos, os justos hão de
estar, até o fim, em contato com os ímpios”.[1]
Não podemos, portanto confundir a explicação de Jesus e aplica-la para a
igreja, pois Ele foi muito claro em dizer que nas circunstancias de Sua
explicação, o campo é o mundo e não a igreja. Na igreja, podemos dizer que a
historia e completamente diferente. Vejamos!
2ª APLICAÇÃO: NA IGREJA
Veremos agora como a parábola do trigo e do joio tem uma aplicação para
dentro da igreja. Aqui verificaremos algumas semelhanças com a aplicação que
Jesus dera a parábola. Porém veremos também algumas diferenças marcantes.
A – O Semeador representa Jesus – “O que semeia a boa semente é o
Filho do homem...”.[2]
Neste ponto “A” temos a mesma aplicação que no mundo, contudo, enquanto
na primeira aplicação o campo era o mundo, nesta aplicação a inspiração nos diz
que:
B – O campo representa a igreja – “’O campo’ disse Cristo, ‘é o
mundo’. Precisamos, porém, entender isto como significativo da igreja de
Cristo no mundo”.[3]
O que ocorre, portanto, dentro da igreja?
“Ao mesmo tempo em que o Senhor traz para a igreja os verdadeiros
convertidos, Satanás traz para sua comunhão pessoas não convertidas. Enquanto
Cristo semeia a boa semente, Satanás semeia o joio. Duas influências
oponentes se exercem continuamente sobre os membros da igreja. Uma influência
opera em favor da purificação da igreja, e a outra em favor da corrupção do
povo de Deus”.[4]
Neste campo, ou seja, na igreja, temos também a influencia tanto do
trigo quanto do joio. Triste e dizer que na igreja também existe esta
influencia má para atrapalhar a obra de Deus. Sim, dentro da igreja também
existe o joio.
C – A boa semente representa os fiéis – “A boa
semente são os filhos do reino. ...aqueles que são nascidos da palavra de
Deus”.[5]
D – O joio são os falsos crentes – “O joio
representa uma classe que é o fruto da encarnação do erro, de princípios
falsos. Dói aos servos de Cristo ver misturados na congregação crentes
falsos e verdadeiros”.[6]
Neste ponto pode alguém então pensar que a igreja então deve tolerar
todo erro claro sem poder nada fazer. Contudo, o Espírito de Profecia nos diz
que:
“O verdadeiro caráter desses pretensos crentes não
é plenamente manifesto”.[7]
Este joio, portanto, que se encontra na igreja, que é membro da igreja,
não tem pecados abertos, não revelou seu verdadeiro caráter diante da igreja e
diante dos irmãos. Todos os que olham para tais pessoas pensam ver um
verdadeiro irmão. Não o vêem cometer nada que o comprometa com os princípios da
igreja. Neste caso a inspiração nos adverte:
“Se tentássemos desarraigar da igreja os que supomos serem
cristãos espúrios, certamente cometeríamos erro”.[8]
Atentemos bem que não devemos agir em base de suposições. Neste caso, a
igreja pode cometer erros graves em desligar alguém que pode ter cometido
alguma falta com base em alguma possibilidade. Diante de tais
circunstâncias, poderia estar extirpando o trigo em lugar do joio, desde que
nada fora provado. Em suma, a verdade é que a igreja jamais deve agir com
fundamentos em suposições. Mas a pergunta é: E quando existem provas
de que alguém não está andando segundo os princípios do evangelho? Esta
resposta teremos um pouco mais adiante. Continuemos a explicação da parábola
neste campo, ou seja, na igreja.
E – O semeador do joio representa Satanás – “O
inimigo que o semeiou é o diabo”. [9]
“Ao mesmo tempo em que o Senhor traz para a igreja os verdadeiros
convertidos, Satanás traz para sua comunhão pessoas não convertidas.
Enquanto Cristo semeia a boa semente, Satanás semeia o
joio.”[10]
F – A colheita representa o fim do tempo da graça – “O joio e o
trigo devem crescer juntos até a ceifa; e a colheita é o fim do tempo
da graça”.[11]
Lembremo-nos que quando estudamos a aplicação da parábola no mundo,
vimos que a colheita se realizará apenas na consumação dos séculos, ou seja, no
fim do mundo, quando Jesus voltar a esta Terra. Na igreja, porém, temos dois
períodos de colheita. A primeira será realizada no fim do tempo da graça. Por
que, pois a colheita na igreja não será apenas no fim do mundo mas bem antes?
Exatamente porque a igreja precisa ser purificada de falsos irmãos antes que
esteja preparada para concluir a obra de pregação. Estes falsos crentes que se
misturaram nas congregações se passando por bons cristãos serão eliminados da
igreja antes que a porta da graça se feche e Jesus volte. Desta forma, enquanto
que no mundo a separação será feita apenas no fim, na igreja, a separação do
trigo e do joio, será realizada bem antes.
G – O que realizará esta colheita ou ceifa será a sacudidura, uma grande
prova para a igreja.
No mundo, quem realizará a colheita serão os anjos. Na igreja, em se
tratando do joio que ainda não deu fruto, será realizado pela sacudidura ou por
uma grande prova que testará os verdadeiros propósitos e sentimentos de cada
um. Aquele joio, portanto, que estava escondido se passando por trigo, será
eliminando da igreja por esta prova.
Em se tratando mesmo do trigo e do joio literal, ambos são bem
semelhantes. A diferença se nota apenas quando aparecem os frutos. O trigo dá
sua espiga de fruto tombado, penso, apontando o chão. O joio, porém, por conter
apenas palha, sem fruto algum, dá sua espiga em sentido vertical, apontando o
céu. Na igreja, o trigo e o joio são muito semelhantes. Nada há que indique
visivelmente que entre os membros da igreja exista o joio. Mas ele está ali,
aparentando ser trigo. Antes que a igreja seja batizada com o Espírito Santo,
este joio terá que ser removido da igreja. Neste caso, o Senhor fará pela
igreja o que ela não pode fazer com bases apenas em suposições. Deus enviará então
um peneiramento, um dificuldade muito grande, para que este joio venha se
manifestar e abandone então as fileiras dos verdadeiros crentes. Leiamos
algumas passagens sobre isto.
“Disse o anjo: ‘Olha’. Minha atenção foi então dirigida ao grupo que eu vira
e estava fortemente sendo sacudido. Foram-me mostrados os que eu
antes vira chorar e orar com agonia de espírito. A multidão de anjos da guarda
ao seu redor fora duplicada, e estavam revestidos de uma armadura da cabeça aos
pés. Marchavam em perfeita ordem, semelhantes a um grupo de soldados... Haviam
alcançado a vitória...”.
“Diminuíra o número dos que faziam parte desse grupo. Ao serem
sacudidos, alguns tinham sido arrojados fora do caminho. Os
descuidosos e indiferentes , que não se união com os que prezavam
suficientemente a vitória e a salvação, para por elas lutar e
angustiar-se com perseverança, não as alcançaram, e foram
deixados para traz, em trevas, e seu lugar foi imediatamente preenchido
pelos que aceitavam a verdade e ala se filiavam”.[12]
“E por aquele tempo a classe dos superficiais, conservadores, cuja
influência tem retardado decididamente o progresso da obra, renunciará
a fé e tomará sua posição com os fracos inimigos dela, para os
quais havia muito tempo tendiam as suas simpatias”.[13]
“Todos os que desejarem abandonar a congregação, terão oportunidade. O
grande tempo do peneiramento está justamente diante de nós. Os ciumentos e os
descobridores de faltas, que praticam o mal serão sacudidos para fora”.[14]
“A prosperidade multiplica a massa dos que professam. A adversidade expurga-os
da igreja. Como uma classe, não tem o espírito firme em Deus. Saem
de nós, porque não são de nós, pois quando surge tribulação ou perseguição
por causa da Palavra, muitos se escandalizam”.[15]
“A grande questão que está tão próxima eliminará aqueles a quem
Deus não designou, e Ele terá um ministério puro, leal,
santificado e preparado para a chuva serôdia... ”.[16]
“Não vem distante o tempo em que toda alma terá de ser provada...
Por esse tempo o ouro será separado da escória, na igreja. A
verdadeira piedade distinguir-se-á então claramente daquela que consiste
na aparência. Muitas estrelas cujo brilho temos admirado, então se
apagarão transformando-se em trevas. A palha, como nuvem, será levada
pelo vento, mesmo de lugares onde só vemos ricos campos de trigo”.[17]
Na igreja, portanto, a separação ou a colheita do joio que ainda
permanece na igreja sem revelar seu verdadeiro caráter, aparentando ser trigo
quando na verdade é joio será na sacudidura. Este, como já dissemos e voltamos
a repetir, será o caso do joio que ainda não revelou sua verdadeira natureza,
não tem pecados conhecidos pela igreja, Todos o julgam trigo. Este será
eliminado nesta terrível sacudidura. Neste ponto cabe a todos nós uma pergunta
importantíssima:
QUAL DEVE SER A ATITUDE DA IGREJA
DIANTE DO PECADO ABERTO E DECLARADO?
“E, quando já o fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque
está chegada a ceifa.” Marcos 4:29.
“Cristo ensinou claramente que aqueles que perseveram em pecado
declarado devem ser desligados da igreja; mas não nos confiou a tarefa de
ajuizar sobre caracteres e motivos”.[18]
Estas passagens são bem claras sobre a posição que a verdadeira igreja
de Deus deve ter com respeito a pecados declarados. Não cabe a igreja julgar os
motivos ou condenar alguém, ou julga-lo um joio. O caráter de cada um cabe a
Deus apenas o julga-lo, porém o pecado não deve ser tolerado, “aqueles que
perseveram em pecado declarado devem ser desligados da igreja”.
É aqui que muitas igrejas erram. Confundem a aplicação da parábola.
Aplicam a explicação de Jesus para a igreja e o erro acaba por ser tolerado e
infelizmente até defendido. Neste caso que estamos considerando, a colheita não
é somente no fim do mundo, nem apenas no fim da graça, mas quando o pecado se
torna público. Neste caso, na igreja, como já dissemos, existem dois períodos
de colheita. Uma no fim da graça para o joio que não revelar seu fruto até
aquela ocasião, e outra quando por ocasião do pecado. Não queremos dizer aqui
que todo aquele que peca é joio, como já lemos não podemos “ajuizar sobre
caracteres e motivos”, porém a igreja cabe esta dura obra de purificar
seu acampamento. Leiamos mais alguns textos sobre esta questão:
Mat. 18:17. “E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também
não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.”
O Espírito de Profecia explica estas palavras de Jesus da seguinte
forma:
“’Se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e
publicano’. V. 17. Se ele não escutar a igreja, se recusar os esforços
envidados para reconquistá-lo é a igreja que deve tomar a si a responsabilidade
de excluí-lo da sua comunhão. Seu nome deverá então ser
riscado do livro. O bem estar e a pureza da igreja devem ser
salvaguardados para que possa estar sem mancha diante de Deus, revestida da
justiça de Cristo. À igreja foi conferido o poder de agir em lugar de
Cristo. Ela é a instrumentalidade de Deus para a conservação da ordem e da
disciplina entre o Seu povo. Nela o Senhor delegou poderes para diremir todas
as questões concernentes à sua prosperidade, pureza e ordem. Sobre ela
impoz a responsabilidade de excluir de sua comunhão aos que são indignos
dela, que pela sua conduta anticristã acarretam desonra à causa da verdade.
Tudo quanto a igreja fizer de acordo com as direções dadas na palavra de Deus
será sancionado no Céu”.[19]
“Ele quer ensinar a Seu povo que a desobediência e o pecado são
excessivamente ofensivos a Seus olhos, e não devem ser considerados levemente.
Ele nos mostra que, quando Seu povo se encontra em pecado, devem-se tomar
imediatamente medidas positivas para tirar esse pecado do meio deles, a
fim de que Seu desagrado não fique sobre todos”.
“Se, porém, os pecados do povo são passados por alto por aqueles que se
acham em posições de responsabilidade, o desagrado de Deus estará sobre
eles, e Seu povo, como um corpo, será responsável por esses pecados. No
trato do Senhor com Seu povo no passado, Ele mostra a necessidade de purificar
a igreja de erros”.[20]
“Limpai o campo dessa corrupção moral, atinja ela os mais altos
homens nas posições mais elevadas... Muito há que nunca saberemos, mas
o que é revelado torna a igreja responsável e culpada a menos que revele
determinado esforço para erradicar o mal. Limpai o acampamento, pois nele há
anátema”.[21]
Existem casos que desconhecemos. Talvez algum pecado até mesmo conhecido
por outras pessoas, mas não pela igreja. De tais pecados a igreja não será
culpada por não corrigi-los, pois os desconhece. Porém, pecados declarados,
onde os membros e a direção da igreja tem conhecimento, se tais pecados não
forem tratados segundo os padrões que aqui temos considerado, então a igreja
será culpada diante de Deus.
“E quando alguma pessoa pecar, ouvindo uma voz de blasfêmia, de que for
testemunha, seja porque viu, ou porque soube, se o não denunciar, então
levará a sua iniqüidade.” Levítico 5:1.
“Deus escolheu nestes últimos dias um povo a quem fez depositários de
Sua lei; e este povo terá sempre desagradáveis tarefas a executar. ‘Eu sei as
tuias obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os
maus; e pusestes à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os
achastes mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo Meu nome,
e não te cansaste. Ap. 2:2, 3. Exigirá muita diligência e contínua
luta o manter o mal fora de nossas igrejas. É preciso haver
rígido e imparcial exercício de disciplina; pois alguns que tem
uma aparência de religião, procurarão minar a fé de outros e, às ocultas,
trabalharão para se exaltar a si mesmos”.[22]
“Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o
teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado.” Levítico 19:17.
O que a inspiração nos esta dizendo é que se a igreja não faz um esforço
para eliminar o mal de entre suas fileiras e preservar sua moral, o pecado de
apenas um recai sobre todos como se todo o corpo eclesiástico tivesse cometido
aquele mesmo pecado!
“Deus responsabilizou Eli , como sacerdote e juiz de Israel, pela
condição moral e religiosa de Seu povo e, em sentido especial, pelo caráter de
seus filhos. Ele devia a princípio ter tentado restringir o mal por medidas
brandas; mas, se estas não dessem resultado, devê-lo-ia ter subjugado pelos
meios mais severos. Incorreu no desagrado do Senhor por não reprovar o pecado e
executar a justiça no pecador. Não se pôde contar com ele para que Israel fosse
conservado puro. Aqueles que tem muita pouca coragem para reprovar o mal,
ou que pela indolência ou falta de interesse não fazem um esforço
ardoroso para purificar a família ou a igreja de Deus, são
responsáveis pelos males que possam resultar de sua negligência ao dever.
Somos precisamente tão responsáveis pelos males que poderíamos ter obstado nos
outros pelo exercício da autoridade paterna ou pastoral, como se esses
atos tivessem sido nossos”.[23]
“Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena. Se
tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão
sendo levados para a matança; Se disseres: Eis que não o sabemos; porventura
não o considerará aquele que pondera os corações? Não o saberá aquele que
atenta para a tua alma? Não dará ele ao homem conforme a sua obra?” Provérbios
24:10-12.
Quando mostramos a alguém que a igreja então deve fazer o trabalho de
disciplina, muitas imaginam fazer este trabalho, pois que o adúltero, o
homicida, e todos aqueles que cometem pecados graves são excluídos da igreja.
No entanto a inspiração nos assegura que alem de fazer este trabalho, existem
pecados considerados pecados leves, quando na verdade não o são, que devem
também ser considerados pela igreja e tomadas medidas para que males sutis não
entrem na igreja. Vejamos alguns destes pecados e qual deve ser a atitude da
igreja diante de tais dificuldades:
“Ao darem evidência de que compreendem plenamente sua posição, devem ser
aceitos. Mas quando mostram que estão seguindo os costumes, modas e sentimentos
do mundo, devem-se lidar fielmente com eles. Se não sentem a
responsabilidade de mudar seu procedimento, não devem ser conservados como
membros da igreja”. [24]
A pergunta é: O que deve portanto a igreja fazer diante de irmãos e
principalmente irmãs que são influenciadas a utilizar certas modas que estão de
choque contra os princípios da palavra de Deus? A resposta e bem clara: “não
devem ser conservados como membros da igreja”. Desta forma, não são
apenas pecados “cabeludos” que devem ser extirpados, mas também a moda quando
contraria os princípios do evangelho, assim como outros pecados também
semelhantes, infelizmente considerados leves. Dentre este pecados da deusa
tirana, a moda, podemos, por exemplo, citar um dos mais comuns: O uso de calças
por pessoas do sexo feminino. O que Deus declarou ser abominável – o que soa
como algo muito terrível – é tolerado por muitas igrejas, e até mesmo defendido
como roupa própria para certas atividades. Ou seja, a razão do homem é colocada
em lugar da sabedoria de Deus, e muitos pseudos pastores incentivam seus
membros a seguir por um caminho de destruição e imoralidade. Gostaríamos de
utilizar este pouco espaço que temos para lermos algo a respeito:
“Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de
mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus.” Deuteronômio
22:5.
“Minha atenção foi chamada para o seguinte verso: ´Não haverá traje de
homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que
faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus.´” Deut. 22:5. Deus não deseja que
Seu povo adote essa pretensa reforma de vestuário. Trata-se de um vestuário
ousado, completamente inadequado ás modestas e humildes seguidoras de Cristo.[25]
“Há um crescente tendência de as mulheres usarem vestuário e adotarem
aparência mais semelhantes aos do sexo oposto e escolherem seus trajes bem
parecidos com os dos homens. Mas Deus declara que isto é abominação. ´Que
do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e
modéstia. Deus determinou que houvesse clara distinção entre
trajes masculinos e femininos.”[26]
“Mas, aqueles que professam ter sido lavados no sangue de Jesus, por
eles derramado, vestem-se com ostentação e enfeitam seu pobre corpo mortal e
ainda ousam dizer que são seguidores do santo, abnegado e
humilde Modelo. Oh, que todos pudessem ver como Deus observa essa questão e a revelou
a mim! Ao contempla-la , foi-me muito difícil de suportar e de resistir à
angústia de coração que experimentei. Disse o anjo: ‘O povo de Deus é peculiar.
Ele o está purificando para Si mesmo’. Vi que a aparência exterior é
indicativo do coração. Quando o exterior é enfeitado com laços, golas e artigos
supérfluos, isso mostra claramente que o amor por todas estas coisas está no
coração. A manos que tais pessoas sejam purificadas de sua corrupção, nunca
verão a Deus; pois somente ‘os limpos de coração... verão a Deus’. Mat. 5:8.
“Vi que o machado precisa ser posto à raiz da árvore. Esse tipo de
orgulho não deveria ser tolerado na igreja”. ...
“Deus terá um povo separado e diferente do mundo. Se alguém sentir
o desejo de imitar as modas do mundo e não subjuga-lo de imediato, Deus
prontamente deixará de reconhece-lo como filho. Esse é filho do mundo e
das trevas”.[27]
“Foi-me mostrado que devem ser feitos esforços decididos para mostrar os
erros àqueles que não são verdadeiros cristãos, e que se eles não se
transformarem, serão separados dos preciosos e santos; que Deus pode ter
um povo puro e perfeito no qual deleitar-se. Não o desonrem os homens mesclando
ou unindo o puro com o impuro”.[28]
Prestemos toda atenção agora na seguinte passagem:
“Fazer jugo com os que não são consagrados e ainda ser leal à verdade, é
simplesmente impossível. Não podemos unir-nos com os que se estão servindo
a si mesmos, que estão trabalhando conforme planos mundanos sem perdermos nossa
ligação com o Conselheiro celestial”. [29]
Algumas pessoas imaginam que certas dificuldades da igreja não devem
fazer parte de suas preocupações. Que basta falar a alguns e que estão livres
de suas responsabilidades para manter a igreja pura. Que podem então conviver
pacificamente na igreja cumprindo seu “dever de cristãos.” Contudo, a
inspiração nos diz que isto e impossível. Por que? Porque a Bíblia diz que se
alguém pecar deve ser feito todo um trabalho para recuperar e reformar tal
pessoa, porem se tal pessoa continua no pecado, então deve levar ao
conhecimento da igreja para que a igreja tome as devidas providencias
disciplinares para eliminar a má influencia de seu meio. Mas se o cristão
sincero faz todo este trabalho, em ir ter com a alma, aconselhar, e, ao levar
ao conhecimento da igreja, a mesma não toma as medidas corretivas para manter o
mal fora de suas fileiras? O que deve o cristão fazer então? A inspiração nos
diz que tal igreja não deve mais ser considerada como sendo a igreja de Deus, a
coluna e firmeza da verdade, pois Cristo disse que sobre a igreja as portas do
inferno não prevaleceriam. Se a igreja se encontra então defendendo o pecado,
não deve mais ser considerada como igreja de Deus.
“Não poderiam considerar os que procuravam excluir o testemunho da
palavra de Deus como constituindo a igreja de Cristo.”[30]
“Preferi a pobreza, a ignomínia, a separação dos amigos ou qualquer
outro sofrimento, a manchardes vossa vida com o pecado. Antes a morte que a
desonra ou a transgressão da lei de Deus – este deve ser o moto de cada cristão.
Como um povo que professa ser reformador, de posse das mais solenes e
purificadoras verdades da palavra de Deus, devemos elevar a norma, muito
mais do que está acontecendo agora. Deve-se tratar prontamente com o pecado e
os pecadores na igreja, para que outros não sejam contaminados. A verdade e a
pureza exigem que façamos uma obra completa para purificar o acampamento de
Aças. Que os que ocupam posições de responsabilidade não sofram pecado num
irmão. Mostrai-lhe que ele, ou tira o pecado, ou é separado da igreja”.[31]
A colheita neste caso não é no fim do tempo da graça, muito menos
podemos esperar até o fim do mundo. De acordo com o que vimos acima, deve ser
efetuada no ato do pecado. Os ceifeiros são os homens, ou seja, a igreja.
3ª APLICAÇÃO: NO CORAÇÃO
Existe também outra aplicação desta parábola, que como já notamos é no
coração, ou seja, em nossa mente. Vejamos:
A – O Semeador representa Jesus – “O Semeador semeia a palavra.
Cristo veio para semear o mundo com a verdade”.[32]
Nesta aplicação o campo não e o mundo nem a igreja, mas o coração.
B – O campo é o coração – “Satanás nunca dorme. Está vigilante,
e aproveita todo ensejo para fazer seus agentes disseminarem erros, que
encontram solo propício em muitos corações não santificados”.[33]
A boa semente não são pessoas cristãs, mas é a verdade que se encontra
na palavra de Deus.
C – A boa semente representa a verdade – “A semente lançada ao
pé do caminho representa a palavra de Deus quando cai no coração de
um ouvinte desatento”.[34]
O joio não são os ímpios no mundo, nem falsos crentes na igreja, mas
nesta terceira aplicação o joio é o erro.
D – O joio são doutrinas errôneas – “(Satanás) aproveita todo
ensejo para fazer seus agentes disseminarem erros, que encontram solo
propício em muitos corações não santificados”.[35]
E – O semeador do joio representa Satanás – “Caso houvesse sido
mantida fidelidade e vigilância, se não houvesse havido sono ou negligência por
parte de alguém, o inimigo não teria tido tão favorável ensejo
de semear joio entre o trigo”.[36]
Quando deverá ser feita a colheita do joio neste campo, ou seja no
coração? Poderemos, assim como na aplicação do mundo deixá-lo para ser colhido
apenas na segunda vinda de Jesus? Ou quem sabe, como vimos na segunda
aplicação, deixá-lo para ser tirado do coração apenas no fechamento da porta da
graça? A inspiração nos diz que por este tempo será tarde demais para se
suprirem as necessidades da alma. [37] Quando
então devemos fazer esta colheita?
F - A colheita deve ser feita hoje, agora! Heb. 3:7. “Portanto,
como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz,...”.
“Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação;
Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da
salvação.” II Coríntios 6:2.
G – Os ceifeiros somos nós mesmos, a própria pessoa.
“Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó,
eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor DEUS. E
estes três homens estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nem
a filhos nem a filhas livrariam; eles só ficariam livres, e a
terra seria assolada.” Ezequiel 14:14, 16.
Que Nosso pai celestial tenha de nós misericórdia e nos dê graça para
que possamos fazer esta obra em nossas vidas. Que tudo aquilo que possa nos
separar de Seu indescritível amor, seja eliminado de nós. Lembremo-nos de que
Jesus fez tudo para que pudéssemos através dEle ter poder para vencer a maior
batalha, a batalha que é travada contra nós mesmos, contra o mal que está
arraigado em nossos corações. Ele pode fazer a limpeza de alma tão necessária
para nossa felicidade presente e futura. Ele diz: “Eis que estou à porta, e
bato: se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com
ele cearei, e ele Comigo”. Apoc. 3:20. Amém!
cristiano_souza7@yahoo.com.br
ABREVIATURAS
TS – Testemunhos Seletos – Casa Publicadora Brasileira
TM – Testemunhos para Ministros – Casa Publicadora Brasileira
PJ – Parábolas de Jesus – Casa Publicadora Brasileira
PE – Primeiros Escritos – Casa Publicadora Brasileira
PP – Patriarcas e Profetas – Casa Publicadora Brasileira
I T – Testemunhos para a igreja – Casa Publicadora Brasileira
ME – Mensagens Escolhidas – Casa Publicadora Brasileira
EF – Eventos Finais – Casa Publicadora Brasileira
OE – Obreiros Evangélicos – Casa Publicadora Brasileira
BC – Comentário Bíblico – Casa publicadora Brasileira
GC – Grande Conflito – Casa Publicadora
Brasileira
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